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Este blog tem o objetivo de publicar a produção de textos dos alunos das turmas de Laboratório de Jornalismo Impresso, PUC-Rio, 2012.2.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Apartamentos olímpicos serão vendidos em 2013


Angélica Veiga

No mês de junho, os técnicos do Comitê Olímpico Internacional (COI) vieram ao Brasil liberar o início das obras para a Vila Olímpica, que será construída na Barra da Tijuca. O novo projeto, com investimento privado das construtoras Odebrecht, Andrade Gutierrez e Carvalho Hosken, tem por objetivo atender as necessidades dos atletas e ser vendido pós-jogos.

Com previsão de custo de R$ 854 milhões, o espaço abrigará os quase 16 mil atletas que participarão das competições. Será construído, nos 62 hectares, mais de 30 prédios, área médica e ambiente de lazer. Cerca de 60% do terreno será usado para estrutura de treinamento. Tudo isso tem prazo de conclusão para 2015.

O Diretor de Relações do COI, Mario Clienti, lembra que um ponto positivo nas Olimpíadas de Londres foi o foco nos atletas. Para ele, a vila olímpica do Rio deverá seguir esse modelo aproveitando o clima descontraído e natural da cidade. Com o objetivo de dar prioridade aos atletas, o Comitê Nacional para assuntos da vila tem os escalou Bernardo Alvarenga, ex-nadador, e o Bruno Souza, do handebol, como membros oficiais. Eles vão cuidar para que as medidas tomadas atendam tanto as preocupações esportivas quanto a dos futuros moradores.

Na busca por cumprir as metas os 952 primeiros apartamentos devem começar a ser vendidos no início de 2013 e, aos poucos, os demais sigam a demanda do mercado. A estimativa total de vendas é de R$2,5 bilhões, segundo a revista Grandes Construções. A Odebrecht anuncia seu projeto como uma construção duradoura que deixará “o legado dos Jogos”.

Outra preocupação do plano piloto é a ligação entre a vila e os locais de competições. A Odebrecht promete interligar a vila aos meios de transportes públicos, como a Transoeste e nova linha do metrô. Calcula-se que os atletas gastem um tempo médio de 10 a 15 minutos para chegar até o campo de treinamento e no máximo 50 minutos para estar nos locais de competições, nos bairros de Deodoro, Maracanã, Barra da Tijuca e Copacabana.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Nuzman vai para quinto mandato sob críticas

Mateus Campos

Reeleito para mais três anos de mandato, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, está há 19 anos no cargo e acaba de receber passe-livre de 30 das 31 confederações esportivas do país. Na sua quinta gestão, ele vai estar à frente do COB até as Olimpíadas de 2016. Nuzman assumiu o comitê pela primeira vez em 1995 após uma vitoriosa gestão na Confederação Brasileira de Vôlei. Sua meta para o novo mandato é tentar colocar o país no ranking dos dez melhores países em número de medalhas em 2016. 


Apesar da aclamação por parte das confederações, seu trabalho no COB vem recebendo muitas críticas dos adversários. Ex-árbitro da Corte Arbitral do Esporte, Alberto Murray diz que a reeleição de Nuzman é uma demonstração de que a entidade não quer democratizar o esporte, nem torná-lo social e transparente. Murray afirma que, por ser crítico aos rumos do COB, foi retirado do comitê em 2008. 

Os gastos do COB com os jogos de 2016 e os desempenhos modestos dos atletas brasileiros nas Olimpíadas são alvos preferenciais de quem não apoia Nuzman. O jornalista esportivo Juca Kfouri disse em seu blog que “nunca antes neste país se investiu tanto no esporte, coisa de 2 bilhões de reais de dinheiro público” e que, se os resultados não vêm, o problema “reside em quem intermedeia os recursos, há mais de 20 anos no poder”. 

Nuzman também é criticado por acumular a presidência do COB com a do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, associação civil responsável por promover e realizar os Jogos. Nas últimas edições, o órgão não foi presidido por cartolas dos Comitês Olímpicos locais. 

O Comitê Organizador, por sinal, está envolvido em polêmicas após um roubo de documentos confidenciais praticado por funcionários brasileiros na Olimpíada de Londres. Os agentes da Rio 2016 trabalhavam em um processo de troca de conhecimento com os londrinos, mas baixaram arquivos e documentos sobre a logística dos jogos sem autorização. Nuzman minimizou o incidente, demitiu as pessoas envolvidas no escândalo e definiu o caso como “fato isolado”. 

Outro opositor de Nuzman é o deputado federal Romário (PSB-RJ). Ele tem feito campanha no Twitter, onde se manifestou dizendo que, embora já esperasse a reeleição do presidente, irá continuar denunciando “tudo de errado”. Alheio às críticas, Nuzman assumiu o cargo afirmando ter certeza de que é “possível dar um salto de qualidade e quantidade na conquista de medalhas nas próximas edições dos Jogos”.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rio se inspira em Londres na acessibilidade


Ligia Lopes


O Rio de Janeiro, capital das Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016, se inspirou nos jogos de Londres deste ano, cidade que foi reconhecida mundialmente pela infraestrutura de acessibilidade aos deficientes. A cidade carioca adotou, desde sua candidatura, em 2009, a legislação federal sobre acessibilidade (Lei 10.098/2000), classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das mais completas do mundo em relação às necessidades especiais. Para cuidar dessa questão dentro das instalações esportivas, foi criada a área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Rio 2016.
Cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres 2012 apresenta o Rio como sede de 2016
(Foto: Getty/Olympic.org)

Algumas das medidas tomadas em benefício dos portadores de necessidades especiais foram a aplicação de pisos antiderrapantes, sinalização sonora e elevadores para cadeirantes nos veículos das novas linhas de BRT.

– As estações estão sendo construídas com rampas de acesso e piso tátil, além de uma catraca especial para deficientes e uma área de espera com total acessibilidade – exemplificou Roberto Ainbinder, diretor de projetos da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A Empresa Olímpica Municipal (EOM), da Prefeitura do Rio, é uma organização criada para coordenar os projetos olímpicos e trabalhar em parceria com o Rio 2016.

Os governos federal, estadual e municipal preveem maior conscientização da população em relação à acessibilidade e garantiram que haverá integração total dos deficientes na infraestrutura dos jogos, conforme as normas. Segundo o site oficial do Rio 2016, todos os sistemas de transporte público na cidade terão total acessibilidade até o ano dos jogos e os padrões de acessibilidade do Comitê Paralímpico Internacional serão aplicados em todos os novos hotéis da cidade.

– É importante pensar em todas as edificações com foco na acessibilidade universal. Para isso, é preciso pensar nas pessoas com deficiência física, visual, auditiva e também em pessoas idosas, gestantes, obesos, sem distinção – afirmou Augusto Fernandes, especialista em acessibilidade do Comitê Organizador Rio 2016.

Para os jogos olímpicos e paraolímpicos deste ano, a prefeitura de Londres fez um levantamento e identificou que existem cerca de 20% de deficientes físicos na cidade, e entre 8 e 10% do total dos visitantes de 2012 tinham necessidades especiais. Com o objetivo de incluir socialmente essa parcela da sociedade, foi inaugurado, em março de 2011, o site Inclusive London, onde podem ser encontradas informações sobre os locais da cidade estruturados para receber esse público, como restaurantes, postos de gasolina, hotéis, delegacias e locais de lazer. Já foram registradas mais de 11 milhões de visitas.

Antes de os jogos começarem, o prefeito de Londres, Boris Johnson, emitiu um comunicado prometendo se empenhar integralmente à sociedade: “Me comprometo a fazer os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2012 o mais acessível possível. Assim, todas as pessoas poderão ter acesso aos jogos”.

Quatro milhões de libras foram destinados a um projeto de inclusão social que previa obras de acessibilidade, como a substituição de degraus por rampas, melhor iluminação e sinalização, mais assentos e instalação de corrimãos.

A prefeitura criou, ainda, o projeto Destination London, um curso online que ensina como é possível ajudar deficientes físicos, mostrando os pontos da cidade preparados para eles. Em relação ao transporte, a página reserva um espaço especial, que mostra quais ajustes foram feitos para que o deficiente possa se locomover de metrô, ônibus, táxi, trem, barco ou sozinho. O interessado precisa se cadastrar no site e fazer o teste. Ao final do curso, o aluno ganha um certificado.

A expectativa é que o Rio consiga se tornar uma cidade-modelo tal como Londres se tornou. Segundo a organização dos jogos de 2016 e a Prefeitura, os projetos iniciais já começaram e, atém o ano dos jogos, tudo já estará em funcionamento.

– Nossa tarefa é encontrar soluções arquitetônicas, de engenharia e de comunicação que sejam funcionais e eficazes para entregarmos os Jogos Olímpicos e Paralímpicos com o mesmo nível de serviço – explicou Tânia Braga, gerente da área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado.