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Este blog tem o objetivo de publicar a produção de textos dos alunos das turmas de Laboratório de Jornalismo Impresso, PUC-Rio, 2012.2.
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terça-feira, 9 de outubro de 2012

Foco em hospedagem para aumentar economia

Ligia Lopes 

O crescimento econômico do país é uma das apostas da prefeitura para as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. O setor econômico deve ser impulsionado pelo investimento no turismo no Rio de Janeiro, sede do evento. A estimativa do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) é que o Rio receba 380 mil turistas estrangeiros a mais nos jogos que vão ocorrer na cidade daqui a quatro anos. Em 2011, o Rio recebeu 1.695 milhões de turistas estrangeiros, sendo 6,5 milhões de turistas domésticos.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) exige que a sede dos jogos tenha disponibilidade de, no mínimo, 40 mil quartos de hotéis. Na época de sua candidatura, o Rio ofereceu 46.248 quartos, sendo cerca de 20 mil hotéis, vilas de acomodação e quartos em navios. Para aumentar a oferta de acomodações em hotéis, a Prefeitura ofereceu incentivos fiscais e urbanísticos para a rede hoteleira como a isenção de IPTU durante as obras, válidos até o fim de 2013.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, de um total previsto de 12 mil quartos de hotel até 2015, 5.400 já estão em construção. Atualmente a cidade conta com 26.316 quartos de hotel, segundo os números da Riotur.

Além do investimento em hotéis, desde a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, em junho deste ano, a prefeitura do Rio vem investindo no turismo “verde”, com a criação do portal Hospeda Rio. O objetivo é estimular a hospedagem domiciliar, favorável para os dois lados: mais barato para quem se hospeda e gerador de renda para quem recebe. 


O site permite que o internauta procure opções de hospedagem já cadastradas no sistema ou ofereça sua casa para receber os turistas. O sistema alivia a sobrecarga na rede hoteleira da cidade. O programa mantém parceria com as redes Cama e Café e Bed and Breakfast Brasil, que assinaram a Carta Carioca de Hospitalidade, documento de prestação de serviços que assume compromissos como qualidade e avaliação do imóvel. Algumas das normas estabelecidas na carta afirmam que os anfitriões devem obrigatoriamente ter mais de 18 anos, o hóspede tem direito a uma cópia da chave de casa e quarto privativo. Além disso, o Hospeda Rio também oferece o serviço de aluguel por temporada de imóveis.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

O legado deixado para o Rio após 2016

Ligia Lopes

Há grandes questionamentos quanto ao legado que os jogos olímpicos vão deixar para a cidade do Rio de Janeiro. A capital escolhida como sede das Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016 promete investimentos na infraestrutura da cidade, turismo e esporte, o que deve alavancar a economia.

Quando foi escolhida cidade-sede, em 2009, a cidade era a que tinha o maior número de instalações esportivas prontas: operantes (47%) ou temporárias (25%). Grande parte, por conta dos jogos Pan e Parapan-americanos de 2007, dos quais o Rio de Janeiro também foi sede. Dez novas instalações de competição ainda serão construídas. Em relação à infraestrutura, o projeto esportivo mais significativo para o Rio 2016 são os quatro halls do Centro Olímpico de Treinamento (COT), além do Parque Radical em Deodoro, que vai receber as instalações de ciclismo e canoagem e, após os jogos, será um centro de esportes radicais, segundo o comitê olímpico.

Já na candidatura do Rio para sediar o evento, em 2007, o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pediu à Secretaria Municipal de Urbanismo que coordenasse a proposta de legado urbano para a cidade e, em parceria com o Comitê Especial de Legado Urbano (CELU), produziu o “Plano de Legado Urbano e Ambiental Rio 2016” (foto).

O documento foi concluído em 2008 e está dividido em um Plano Macro e Planos Locais. Prevê intervenções públicas que melhorem o espaço urbano em diferentes áreas, como transportes, meio ambiente, habitação, reurbanização e desenvolvimento social. Seu objetivo é criar um legado para o Rio de Janeiro não só durante os jogos. O documento atende primordialmente áreas como Barra da Tijuca, Deodoro, Engenho de Dentro, Maracanã, Sambódromo e Zona Portuária.

A economia do país também é uma aposta do governo. O secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes, espera que o retorno econômico para o país seja “gigantesco”. Ele afirma que o governo está montando infraestruturas que poderão alavancar o desenvolvimento do país, se referindo à Copa do Mundo de 2014 e aos Jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2016.

Além do legado físico, o secretário destacou que sediar esses eventos faz com que o Brasil crie um “legado imaterial”, como investimentos em segurança, saúde e esporte, que vão melhorar as condições de vida da população e a situação do esporte no país.

– As deficiências do nosso esporte de base se referem, sobretudo, às deficiências do esporte no sistema educacional brasileiro – completou o secretário em coletiva de imprensa do Ministério do Esporte em Londres.


quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rio se inspira em Londres na acessibilidade


Ligia Lopes


O Rio de Janeiro, capital das Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016, se inspirou nos jogos de Londres deste ano, cidade que foi reconhecida mundialmente pela infraestrutura de acessibilidade aos deficientes. A cidade carioca adotou, desde sua candidatura, em 2009, a legislação federal sobre acessibilidade (Lei 10.098/2000), classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das mais completas do mundo em relação às necessidades especiais. Para cuidar dessa questão dentro das instalações esportivas, foi criada a área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Rio 2016.
Cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres 2012 apresenta o Rio como sede de 2016
(Foto: Getty/Olympic.org)

Algumas das medidas tomadas em benefício dos portadores de necessidades especiais foram a aplicação de pisos antiderrapantes, sinalização sonora e elevadores para cadeirantes nos veículos das novas linhas de BRT.

– As estações estão sendo construídas com rampas de acesso e piso tátil, além de uma catraca especial para deficientes e uma área de espera com total acessibilidade – exemplificou Roberto Ainbinder, diretor de projetos da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A Empresa Olímpica Municipal (EOM), da Prefeitura do Rio, é uma organização criada para coordenar os projetos olímpicos e trabalhar em parceria com o Rio 2016.

Os governos federal, estadual e municipal preveem maior conscientização da população em relação à acessibilidade e garantiram que haverá integração total dos deficientes na infraestrutura dos jogos, conforme as normas. Segundo o site oficial do Rio 2016, todos os sistemas de transporte público na cidade terão total acessibilidade até o ano dos jogos e os padrões de acessibilidade do Comitê Paralímpico Internacional serão aplicados em todos os novos hotéis da cidade.

– É importante pensar em todas as edificações com foco na acessibilidade universal. Para isso, é preciso pensar nas pessoas com deficiência física, visual, auditiva e também em pessoas idosas, gestantes, obesos, sem distinção – afirmou Augusto Fernandes, especialista em acessibilidade do Comitê Organizador Rio 2016.

Para os jogos olímpicos e paraolímpicos deste ano, a prefeitura de Londres fez um levantamento e identificou que existem cerca de 20% de deficientes físicos na cidade, e entre 8 e 10% do total dos visitantes de 2012 tinham necessidades especiais. Com o objetivo de incluir socialmente essa parcela da sociedade, foi inaugurado, em março de 2011, o site Inclusive London, onde podem ser encontradas informações sobre os locais da cidade estruturados para receber esse público, como restaurantes, postos de gasolina, hotéis, delegacias e locais de lazer. Já foram registradas mais de 11 milhões de visitas.

Antes de os jogos começarem, o prefeito de Londres, Boris Johnson, emitiu um comunicado prometendo se empenhar integralmente à sociedade: “Me comprometo a fazer os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2012 o mais acessível possível. Assim, todas as pessoas poderão ter acesso aos jogos”.

Quatro milhões de libras foram destinados a um projeto de inclusão social que previa obras de acessibilidade, como a substituição de degraus por rampas, melhor iluminação e sinalização, mais assentos e instalação de corrimãos.

A prefeitura criou, ainda, o projeto Destination London, um curso online que ensina como é possível ajudar deficientes físicos, mostrando os pontos da cidade preparados para eles. Em relação ao transporte, a página reserva um espaço especial, que mostra quais ajustes foram feitos para que o deficiente possa se locomover de metrô, ônibus, táxi, trem, barco ou sozinho. O interessado precisa se cadastrar no site e fazer o teste. Ao final do curso, o aluno ganha um certificado.

A expectativa é que o Rio consiga se tornar uma cidade-modelo tal como Londres se tornou. Segundo a organização dos jogos de 2016 e a Prefeitura, os projetos iniciais já começaram e, atém o ano dos jogos, tudo já estará em funcionamento.

– Nossa tarefa é encontrar soluções arquitetônicas, de engenharia e de comunicação que sejam funcionais e eficazes para entregarmos os Jogos Olímpicos e Paralímpicos com o mesmo nível de serviço – explicou Tânia Braga, gerente da área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado.