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Este blog tem o objetivo de publicar a produção de textos dos alunos das turmas de Laboratório de Jornalismo Impresso, PUC-Rio, 2012.2.
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quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Atletas paraolímpicos não conseguem patrocínio

Angélica Veiga

Daniel Dias, nadador paraolímpico, com seis medalhas de ouro nas Olimpíadas de Londres
Crédito: Fernando Maia/CPB/Divulgação


O atleta paraolímpico, Vanderson Silva, voltou das competições de Londres sem medalha e patrocinador. A situação de Silva, ouro no 7º Open de Buenos Aires e recordista brasileiro no lançamento de disco, é comum entre os para-atletas. As despesas vão desde reposição de equipamentos até alimentação. 


Os atletas para-olímpicos totalizaram 43 medalhas, na cidade inglesa, e progridem nos rankings internacionais. Mesmo assim, o coordenador técnico de atletismo do CPB, Ciro Winckler, reclama que as instituições veem os medalhistas como “coitadinhos” e não vislumbram o custo/benefício. Embora haja casos de sucesso, eles ainda são minoria. O nadador Daniel Dias, por exemplo, nasceu com má formação dos braços e da perna direita. Subiu ao pódio seis vezes nas Paraolimpíadas de Londres, para onde levou o nome de seus patrocinadores Embratel, Celmar, Otto Bock e da Universidade Mackenzie. 

Na falta de verba privada, os atletas se mantêm através do programa Bolsa Atleta, como judoca Eduardo Paes Amaral. Destinado a garantir o mínimo sustento dos esportistas, o programa do governo federal concede R$2.500 por mês aos paraolímpicos. Para a treinadora da equipe de natação, Virgínia Sara Saad, o dinheiro do projeto ajuda pagar as questões mais difíceis como transporte, os treinadores e alimentação.

A fundadora da empresa Dearo Marketing Social e Captação de Recursos, Fernanda Dearo, explica que o obstáculo em se conseguir patrocínio se dá muita das vezes por falta de preparo técnico, criatividade e paciência. Ela ressalta a importância de saber apresentar uma boa proposta, para as empresas não pensarem no dinheiro aplicado como filantropia, e a necessidade de estabelecer relacionamento para manter sempre o interesse do investidor.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Rio precisa ser acessível até 2016

Babi Costa

A rua Rodolfo Dantas, em Copacabana, é um modelo a ser seguido até as olímpiadas de 2016. Oferece rampas de acesso, sinais sonoros, sinais de trânsito inteligentes em braile (botões que acionam o mecanismo que faz o sinal de trânsito abrir para o pedestre), e piso indicativo para deficientes visuais. Esses itens precisam estar presentes em todas as ruas da cidade até as olímpiadas, mas por enquanto esse é o único local onde podem ser encontrados. A via é totalmente acessível desde 2008, quando a prefeitura em parceira com o Centro de Vida Independente do Rio (CVI-Rio), realizou intervenções para o projeto Corredor Acessível. 

A Psicóloga Lilia Martins, que vive na cadeira de rodas há 69 anos, é uma das fundadoras do CVI-Rio, relata que existem mecanismos para que as adaptações sejam feitas, mas as obras precisam começar em breve.

– Tudo pode ser feito, mas isso leva tempo, então precisa começar o mais rápido possível. Quando adaptamos a rua Rodolfo Dantas, era para ser um piloto e serviria como modelo. Com o efeito cascata, esperávamos que outras iniciativas fossem sendo tomadas e se espalhassem pelos bairros, mas esse projeto não teve continuidade. Espero que com tantos grandes eventos essa iniciativa seja duradoura – explicou ela

Para Lilian a acessibilidade não pode ficar apenas nas ruas, tem que estar presente em todos os cantos da cidade.

– O problema vai além das vias, na cidade quase não há hotéis que possam receber deficientes. Nem os próprios apartamentos e prédios são adaptados, a cidade se torna uma corrida de obstáculos – disse Lilian.

Segundo o censo realizado pelo IBGE, em 2010, são apenas 38 quartos adaptados em hotéis, pousadas e albergues em toda a cidade. Nos domicílios, o censo apurou apenas a presença da rampa para cadeirantes e há 162 mil domicílios com essa instalação, de um total de 1,88 milhão, o que não atende os 828 mil portadores de algum tipo de deficiência que a cidade abriga.

Projetos para adequar a cidade

Para alcançar a meta de se tornar 100% acessível até as olímpiadas de 2016, a prefeitura da cidade criou diversas iniciativas. Uma delas é o Calçada Lisa, que pretende transformar 700mil m² de passeios públicos. As calçadas cariocas receberam a pior nota – 4,5 - entre as 12 capitais brasileiras pesquisadas pelo site Mobilize Brasil.

As frotas de ônibus também precisarão passar por adaptações. A Rio Ônibus tem em sua frota atual apenas 60% dos seus carros adaptados e terá que aumentar esse número para 100%.

Das 99 estações da SuperVia, apenas duas têm capacidade de receber pessoas com deficiência, segundo um relatório feito pelo Instituto Brasileiro dos Direitos a Pessoa com Deficiência (IBDD).