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Este blog tem o objetivo de publicar a produção de textos dos alunos das turmas de Laboratório de Jornalismo Impresso, PUC-Rio, 2012.2.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Que 2007 não se repita em 2016

Fonte: Dossiê de candidatura Rio 2016
Mariah d'Avila

Durante os Jogos Olímpicos, para que os atletas possam pensar exclusivamente em conquistar as medalhas, eles precisam de um local confortável e bem estruturado para se hospedarem. A Vila Olímpica é, tradicionalmente, o espaço de alojamento dos atletas para a competição. 

No projeto do Rio de Janeiro para 2016, o conjunto residencial será no bairro da Barra da Tijuca, na região próxima ao Riocentro. Com cerca de 60 hectares, a Vila Olímpica e Paralímpica teve a pedra fundamental lançada em dezembro de 2010 e a previsão é de que as obras estejam concluídas até o final de 2015. Após mudança no projeto, o Comitê Olímpico Internacional definiu que serão 31 prédios de 17 andares cada, pouco mais de 10 mil quartos. 

A Vila Olímpica e Paralímpica faz parte do legado que os Jogos pretendem deixar para a cidade do Rio. De acordo com o comitê organizador, após os jogos, o local será um conjunto residencial privado. A ideia é que os apartamentos sejam vendidos aos poucos, seguindo a demanda do mercado imobiliário na cidade, e não de uma vez só. O investimento no projeto das acomodações será, a princípio, de mais de R$ 850 milhões, originados integralmente da iniciativa privada. 

O futuro do complexo residencial pode, porém, não estar tão garantido como dizem os organizados. Se tomado por base o que aconteceu após a realização dos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro, em 2007, a Vila Olímpica também pode vir a ser uma dor de cabeça para a cidade. A Vila Pan-americana, que teve 95% de seus apartamentos vendidos em poucas horas, hoje, não conta com 50% deles habitados, segundo reportagem do jornal Valor Econômico. 

A Agenco, empresa responsável pelas obras, e a Caixa Econômica Federal sofreram diversos processos dos donos dos imóveis, que alegam falta de finalização das obras. Parte do terreno dos prédios cedeu em alguns pontos, em função de se localizar em um terreno arenoso. 

Em depoimento ao blog do jornalista Juca Kfouri, um morador da antiga Vila Pan-americana, Robson Pereira, confirma problemas estruturais nas vias internas do condomínio, em áreas que, segundo ele, não foram estaqueadas, e que abrigam as redes de água, esgoto e energia elétrica, por exemplo. Além disso, Robson garante que a promessa de um centro comercial e um centro esportivo não foi cumprida. De acordo com o morador, “o pãozinho mais perto fica a dois quilômetros da Vila”.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Há uma bolha imobiliária no Rio de Janeiro?

Nina Lua

De janeiro de 2010 a março de 2012 houve uma variação de 43% no preço dos imóveis em todo o Brasil. No mesmo período, o Rio de Janeiro apresentou o maior aumento do país: 58,86%. De janeiro de 2008 a março de 2012 os preços cresceram 168% na cidade, conforme estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) assinado pelos economistas Mário Jorge Mendonça e Adolfo Sachsida.

Um dos motivos para o crescimento da demanda dos imóveis no país são os programas de crédito habitacional e o aumento do poder aquisitivo da nova classe média, como identifica o professor da FGV Carlos Emmanuel Ragazzo.

Segundo o estudo do Ipea, ao mesmo tempo em que subiram os preços, a oferta de crédito imobiliário aumentou 130%. No entanto, Ragazzo afirma que, no Rio de Janeiro, só estes fatores não explicam um crescimento tão grande. Para o professor da FGV, algumas características específicas contribuíram para a valorização maior na cidade: os investimentos para os jogos olímpicos de 2016 e a nova política de segurança pública, com a instalação das 28 UPPs, valorizando áreas que antes estavam degradadas pela proximidade de zonas consideradas perigosas. É o caso da Tijuca, por exemplo, em que a pacificação elevou o preço do metro quadrado em 81% desde 2009, segundo dados do Sindicato de Habitação do Rio (Secovi-Rio). Já o estudo do Ipea também aponta para as políticas de obras públicas voltadas para as Olimpíadas como um fator decisivo para a valorização dos imóveis.

Apesar do grande aumento dos preços no Rio de Janeiro, Ragazzo não acredita que haja uma bolha imobiliária na cidade. Para ele, pelo contrário, no início da década os imóveis da capital fluminense eram subvalorizados. O estudo publicado pelo Ipea não chega às mesmas conclusões: para Mendonça e Sachsida, há uma bolha imobiliária no país. O principal motivo seriam os financiamentos incentivados pelo governo federal pelas políticas fiscais e de estímulo ao crédito. A maior parte dos financiamentos habitacionais no Brasil é feita com juros pós-fixados. Para os técnicos do Ipea, isso significa que, quando os juros mantidos baixos pelo governo aumentarem, o que seria inevitável, a bolha vai explodir. No Rio de Janeiro, onde o mercado imobiliário está mais aquecido, os efeitos poderão ser sentidos ainda mais.

Morro da Providência luta por sua sobrevivência


Alice Fonseca 


Porta da casa de um dos moradores do Morro da Providência
Foto: Luiz Baltar

Fundado em 1897 por ex-combatentes da Guerra dos Canudos e escravos livres, o Morro da Providência está sendo palco de um novo ciclo de transformações. Artigo publicado no jornal americano “The New York Times” questiona a forma como o Rio de Janeiro está se preparando para as Olimpíadas de 2016. Com o título "Em nome do futuro, o Rio está destruindo o passado", o artigo é assinado por Theresa Williamsom, fundadora da Comunidades Catalisadoras, e por Maurício Hora, diretor do programa Favelarte no Morro da Providência, e critica a desapropriação de parte das residências do Morro da Providência, a favela mais antiga da cidade, com mais de 110 anos de ocupação.

A região está rodeada por três projetos da prefeitura endossados pelos setores de construção, imobiliário e turístico da iniciativa privada: o Porto Maravilha, o Morar Carioca e o Porto Olímpico. Dos três, o que atinge mais diretamente o morro da Providência é o Morar Carioca. Com as obras para as Olímpiadas, 30% da comunidade será despejada do local. Ainda que a prefeitura declare que esses investimentos beneficiarão os moradores, as únicas “reuniões abertas” propunham apenas informar aos moradores qual seria seu destino..

A prefeitura acredita que até a metade de 2013 o Morro da Providência terá recebido R$131 milhões em investimentos, em projetos para revitalizar a área portuária da cidade, que envolvem, vias mais largas, bondinho e trens, além da implantação de novas redes de água, esgoto e drenagem.

Moradores da região tem se organizado para discutir as possibilidades de mobilização e resistência ao projeto. Desde janeiro de 2011 eles foram somando-se à ONGs, universidades e parlamentares, formando o Fórum Comunitário do Porto, com o objetivo de chamar atenção para sua realidade. Em denúncia realizada do fórum, moradores afirmam que o próprio projeto de Urbanização Morar Carioca prevê a remoção de 832 casas da Providência. Em carta feita à população da cidade, a Comissão de Moradores da Providência e Fórum Comunitário do Porto, aponta que o número de unidades habitacionais planejadas para serem construídas ao longo de dois anos é menor do que o número de remoções, sendo apenas 639 unidades habitacionais previstas.

Sob o argumento de que 317 destas casas estão no caminho das obras e que 515 estão em área de risco, as autoridades dizem que as realocações são necessárias, devido ao risco de deslizamento ou superpopulação da comunidade. Contudo, estudo feito por engenheiros locais mostrou que os riscos anunciados pela cidade são imprecisos e inadequados.

Em entrevista com o jornal online "A Nova Democracia", a moradora e integrante de comissão contra a remoção, Márcia Regina de Deus, 53 anos, conta que no dia 4 de julho teve sua casa invadida e revirada por policiais civis. “Eles entraram na minha casa pela janela. Arrombaram e pularam para dentro. Reviraram algumas coisas, mas até agora eu não dei falta de nada. Eu tenho certeza que isso foi uma retaliação, já que eu estou à frente junto com outros companheiros na luta contra a remoção aqui na Providência. O pessoal dos direitos humanos chegou a ir comigo a uma delegacia, mas até agora nada foi feito para identificar os policiais que fizeram isso. Eles vieram nos oferecer apartamentos do Minha Casa Minha Vida, mas eu disse para eles: Essa é a minha casa. Essa é a minha vida e, por isso, daqui eu não saio”, diz a moradora.

Um estádio controverso desde a pedra fundamental


Victor Belart


É comum que as cidades sedes de grandes eventos esportivos escolham figuras animais como mascote de divulgação dos jogos. O personagem da Rio 2016 ainda não foi definido , mas se o desfecho das obras nas praças esportivas for semelhante ao do PAN, não há mascote mais indicado do que um elefante branco. Das estruturas construídas para 2007, apenas o Estádio Olímpico tem uso frequente – ainda assim impulsionado pela interdição temporária do Maracanã. Públicos medianos, parceria com o Botafogo e um projeto de reforma visando as Olimpíadas marcam os cinco anos de vida do estádio, que foi construído com um valor mais de seis vezes superior ao estimado inicialmente.
O Estádio Olímpico foi construído numa parceria entre as construtoras Racional, Delta e Recoma. Inicialmente orçado em R$ 60 milhões, o valor total gasto na construção do estádio superou os R$ 380 milhões. Com capacidade para 45 mil pessoas, o estádio não tem o limite mínimo para partidas das Olimpíadas e – por isso – já sofrerá sua primeira reforma e será ampliado a 60 mil. A  obra ainda não tem valor estimado, mas o projeto já é anunciado com orgulho no portal da construtora Odebrecht, contratada pela Prefeitura para várias obras olímpicas. O Engenhão foi inaugurado em junho de 2007 com uma partida entre Botafogo e Fluminense vencida pelo alvinegro. No mês seguinte, as provas de atletismo do Panamericano encerraram o período de administração da Prefeitura no estádio pelo menos até 2027. Em licitação aberta ainda na gestão de Cesar Maia, o Botafogo se apresentou como único clube capaz de arrendar o estádio num contrato de 20 anos. O alvinegro tem um compromisso de  R$ 36 mil mensais com a Prefeitura, mas a real despesa vem do custo de manutenção do estádio.
O Botafogo mandou sozinho seus jogos no estádio durante um breve período de dois anos. Arrecadando pouco com renda dos jogos, o clube fechou em 2009 um contrato de terceirização do espaço com uma empresa que auxilia o clube na administração do estádio. Apesar do esforço da Supervia de oferecer trens especiais em dias de jogos, o torcedor não se habituou a frequentar o estádio e o Botafogo teve sua média de público reduzida de quase 18 mil em 2007 para menos de 15 mil em 2008.
Se no futebol o Engenhão não era o estádio preferido, no Atletismo não havia nem chance de escolha. De agosto de 2007 até 2009 nenhuma prova foi disputada no estádio.    Em 2009 a administração do Botafogo e a Federação de Atletismo lançaram uma parceria que prevê a realização de escolinhas e oficinas de desenvolvimento para jovens atletas. 
Em junho de 2010 o Maracanã fechou para obras de Copa e com isso Flamengo e Fluminense passaram a realizar seus jogos no estádio. Com o maior número de partidas no Engenhão, o Botafogo firmou parceria com a AMBEV e passou a usar o estádio de maneira rentável. A cervejaria oferece tecnologia e custeia parte das despesas do estádio em troca de divulgação e visibilidade. A AMBEV passou a ser uma espécie de patrocinadora Master do Botafogo, sem estampar seu nome na camisa do time, não vinculando sua marca exclusivamente ao clube da estrela solitária.
Sem o Maracanã, as torcidas de Flamengo e Fluminense também tiveram de se adaptar ao estádio e o processo de rejeição foi similar ao do Botafogo. As médias de público dos clubes cariocas no Brasileirão 2012 são as piores desde 2003. A sobrecarga de jogos no estádio também gerou problemas ao gramado, o que fez a AMBEV importar da Holanda, no mês passado, uma tecnologia especial para tratar do campo.
Mesmo com públicos baixos, gramado criticado e dificuldade nos acessos, o Engenhão passou a beneficiar o Botafogo e a AMBEV de diferentes maneiras. Enquanto as cadeiras dos setores norte e sul do estádio são caracterizadas com a logomarca da Brahma, o Botafogo sobe o preço do estacionamento do estádio em até 25 reais para partidas de outros clubes. Melhor adaptado em administrar o estádio, o clube alvinegro lançou em setembro um projeto Olímpico que tem o Engenhão como baluarte. Para usar o estádio de diferentes maneiras, o clube passou ainda a realizar uma série de shows e eventos culturais no estádio.
Enquanto o Botafogo se desdobra para gerar receita com a estrutura pública que administra, a Prefeitura ainda não deu prazo nem orçamento para as obras de ampliação do campo e nem afirmou se o estádio vai de fato ser interditado para essas reformas. Já o Maracanã é reformado pelo Governo do Estado com um orçamento que ultrapassa os 900 milhões de reais. Enquanto isso, a torcida carioca torce pelo retorno do Maior do Mundo e o Botafogo oscila entre lucros e prejuízos por ser inquilino de um estádio que a Prefeitura construiu, mas se recusou a administrar.

quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Descuido com Galeão mostra fragilidades do Rio

Praça de alimentação do aeroporto Galeão
Foto: WikiRio
Mayra Nolasco

O aeroporto internacional Antônio Carlos Jobim vive um momento de transição em meio aos preparativos dos projetos urbanos para a primeira Olimpíada do Rio de Janeiro. Em agosto desse ano, no lançamento do Programa de Investimentos em Logística de Rodovias e Ferrovias, a presidente Dilma Rousseff anunciou o projeto de novas concessões de aeroportos, onde prevê um pacote com medidas necessárias para reduzir o custo do país. A concessão do aeroporto do Rio, uma estratégia do governo federal para investir em infraestrutura, ainda é um plano indefinido pela presidente. Único internacional da cidade, o Galeão, que tem capacidade para 8 milhões de pessoas, parece estar abandonado, entregue a passageiros jogados em seus saguões.

Com uma área de 17,88 Km², o Galeão trabalha com 171 balcões de check-in. O número demonstra a quantidade de passageiros que frequenta diariamente o aeroporto. Além do descuido com a estrutura do espaço - que corriqueiramente tem luzes queimadas e escadas rolantes quebradas –, a área dispõe de 11 restaurantes que não funcionam 24 horas por dia, contradizendo os órgãos responsáveis, que afirmam que o serviço funciona sem parar. Entre os bares, lanchonetes e restaurantes distribuídos nos terminais 1 e 2 estão grandes redes como Bob’s, Rei do Mate, Kopenhagen e Casa do Pão de Queijo.

De acordo com a Infraero, o serviço de alimentação do Galeão funciona 24 horas, o que parece muito estranho para os passageiros que circulam durante a madrugada nos terminais. Para quem espera um voo atrasado ou parte um pouco mais tarde para seu destino, é inviável comer no aeroporto. No caso de passageiros com alguma necessidade especial, a falta de uma área de alimentação mais adequada a um aeroporto internacional se une a falta de conforto que o Galeão proporciona.

Questionados sobre o horário de funcionamento, os responsáveis pelo atendimento do Bob`s e do Rei do Mate asseguraram que ficam abertos durante 24 horas, mas não abriram mão de perguntar o porquê do questionamento. Já o restaurante Pastello afirmou que fecha às 23h, comprovando que não são todas as empresas alimentícias que funcionam 
ininterruptamente no aeroporto. Em 2011, o gerente do Rei do Mate, assim como os dos restaurantes Tropical, Café Palheta, Hallah e Bob`s, foram presos e autuados pela prática do crime de relação de consumo. Em uma fiscalização feita pelas Delegacias do Aeroporto Internacional (Dairj) e do Consumidor (Decon), os cinco estabelecimentos foram interditados pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), que encontrou mais de 300 quilos de mercadorias impróprias para o consumo. 

Comparado aos outros aeroportos internacionais do Brasil, o Galeão não impressiona em números. O aeroporto Guararapes, do Recife, é um exemplo disso. Menor do que o do Rio, tem menos da metade de balcões de check-in e dispõe de 14 lanchonetes, quantidade maior do que a do aeroporto que faz parte da capital das Olimpíadas. Comparado com o aeroporto de Londres, sede dos últimos jogos, o Galeão não tem nem condições para competir. Heathrow é o terceiro aeroporto mais movimentado do mundo, com 43 restaurantes disponíveis. Entre eles, seis grandes empresas funcionam 24 horas.

Enquanto o Comitê Olímpico Internacional pressiona o Brasil para a melhoria da infraestrutura da área nacional, a Associação dos Concessionários Aeroportuários do Rio (Acap-RJ) comunicou, através de uma nota, que lanchonetes e restaurantes deverão funcionar ininterruptamente, assim como os serviços de aluguel de automóveis. No que diz respeito à praça de alimentação, fica muito claro que as novas regras ainda não começaram a valer no Rio, mesmo com a garantia das fontes oficiais. Basta passar uma noite nos terminais do Galeão para perceber o péssimo estado do palco de recepção mais importante dos jogos de 2016.

Gávea terá estação de metrô em dois níveis

Nina Lua 


Foto: Metrô Rio/Divulgação
“O que não queremos é aceitar que vinte dias de Olimpíadas de 2016 sejam mais importantes do que o futuro do metrô do Rio”. A frase publicada no site do Movimento Metrô que o Rio Precisa exprime as divergências que cercam a construção da Linha 4. A expansão do sistema metroviário é uma das melhorias no transporte previstas para os jogos olímpicos de 2016, com a construção de seis estações: Jardim Oceânico, São Conrado, Gávea, Leblon, Jardim de Alah e Nossa Senhora da Paz. A nova linha pretende transportar mais de 300 mil pessoas diariamente, segundo dados do governo do estado, e pode vir a significar menos dois mil carros por dia nas ruas, de acordo com um estudo da Fundação Getúlio Vargas. No entanto, seu traçado ainda é motivo de discussões.

A estação da Gávea é uma das principais fontes de debates. A previsão da FGV é de que, desde o primeiro ano de uso, ela receba cerca de 20 mil passageiros por dia. Por isso, associações de moradores e governo estadual negociaram a construção da estação em dois níveis, o que possibilita a ligação da Gávea tanto a Ipanema quanto ao Jardim Botânico. A construção de apenas um nível significaria a interdição da estação alguns anos após ela ser inaugurada, quando as obras para ligá-la a Jardim Botânico e Botafogo, previstas para depois dos jogos olímpicos, fossem iniciadas. Em 25 de junho, o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), acatou os protestos de moradores e aprovou a instalação de dois pavimentos na Gávea. O começo das obras é previsto para o próximo semestre.

A ligação entre Jardim Oceânico e Alvorada, estação inicialmente prevista no estudo da FGV, será feita, por enquanto, através do BRT, projeto da prefeitura para o transporte na zona oeste. O Movimento Metrô que o Rio Precisa defende que o traçado atual da Linha 4 na Barra da Tijuca não pode ser justificado pelo ponto de vista econômico. Segundo seus representantes, para evitar que o grande volume de usuários da Barra, do Recreio e de Jacarepaguá tenha que fazer baldeações intermodais, o metrô deve cobrir o trecho de seis quilômetros entre Jardim Oceânico e Alvorada. A alegação do Movimento é de que o custo menor de implantação do BRT não é suficiente para explicar os transtornos da população no futuro.

Parque Olímpico gera polêmica com CBA


Georgia Gomide


A construção do Parque Olímpico para os jogos de 2016 vem gerando polêmica, já que o local escolhido para obra é o mesmo terreno onde está o Autódromo Internacional Nelson Piquet, em Jacarepaguá. A grande questão que impediu até agora o início das obras é o   fato de a CBA, a Confederação Brasileira de Automobilismo, ter um acordo judicial assinado antes dos Jogos Pan-Americano em 2007 assegurando que o autódromo só poderá ser destruído após a construção de um novo. O problema é que o COI, Comitê Olímpico Internacional, requisitou a área do autódromo para as instalações do Parque Olímpico. Para que isso aconteça não basta apenas fechar o autódromo, mas oferecer uma alternativa para o automobilismo antes de iniciar a demolição. O terreno escolhido para a transferência do autódromo é o mesmo onde o Exército realiza treinamentos, no bairro de Deodoro, na Zona Oeste da cidade. Enquanto a prefeitura não consegue um acordo com o Ministério Público e o Exército, as obras vão ficando cada vez mais atrasadas. 


Projeto do Parque Olímpico
Foto: Divulgação

Além do acordo judicial assinado entre a CBA e a prefeitura, outro entrave para o início das obras foi a questão ambiental. Em abril de 2012 o Conselho Municipal de Meio Ambiente emitiu um parecer contrário à escolha do terreno para abrigar o novo autódromo carioca, alegando que a região faz parte da Mata Atlântica. O parecer foi aprovado e assinado pelo presidente do Conselho e vice-prefeito Carlos Alberto Muniz, afirmando que a obra afetaria um Sítio de Relevante Interesse Paisagístico e Ambiental pelo Plano Diretor do Rio. Já o prefeito Eduardo Paes se posicionou contra o parecer e afirmou que a prefeitura irá conceder a licença ambiental para obra. Isso tudo porque é de interesse da prefeitura que as obras para o novo autódromo comecem o quanto antes para que as obras do Parque Olímpico sejam iniciadas conforme a lei. 

O autódromo de Jacarepaguá foi construído em 1978 e foi palco de inúmeros eventos automobilísticos, como o Grande Prêmio do Brasil de Formula 1 e a etapa brasileira de Moto GP. O autódromo teve a sua pista reduzida para receber o Complexo Esportivo Cidade dos Esportes os Jogos Pan-americanos em 2007. A obra, que descaracterizou o autódromo, custou R$ 14 milhões aos cofres públicos e não será utilizada para os Jogos Olímpicos. Todas as alterações feitas serão demolidas.

A hipótese de o novo autódromo do Rio ser transferido para Deodoro não conta com apoio do Exercito, que defende o uso da área para treinamento, apesar de estar em processo de degradação. O Exército entrou com uma ação junto ao Ministério Público, que sugeriu a construção do novo autódromo em um terreno próximo à área militar, a uma distância de um quilômetro do local escolhido. Além disso, a vereadora Sônia Rabelo ( PV) declarou ao jornal O Globo que se a licença ambiental da obra for concedida pela prefeitura, pretende entrar com uma ação popular contra a aprovação do projeto. Para Sônia, um autódromo é altamente poluente. Ela e se apoiou na Lei Orgânica Municipal para afirmar que as áreas verdes da cidade não podem ser vendidas. 

Apesar de toda a polêmica, ficou definido que a construção do autódromo de Deodoro será iniciada em janeiro de 2013. A decisão foi tomada em uma reunião em Brasília no dia 14 de junho de 2012 e contou com a presença do presidente da Confederação Brasileira de Automobilismo, Cleyton Pinteiro, e representantes do Governo Federal, Governo do Estado do Rio de Janeiro e a Prefeitura. Ficou definido que a obra para o Parque Olímpico está autorizada a começar, com a condição de não interferir no calendário de eventos automobilísticos já marcados até o final do ano.

Voluntários aguardam as Olimpíadas do Rio


Elena Cruz

O carioca que tem orgulho da cidade e quer contribuir como pode para que ela seja bem vista pelo mundo. Para isso abre mão de receber pelo serviço prestado em troca de algo mais valioso: o sentimento de gratificação. São os voluntários, que podem assumir as mais diferentes funções, desde recepcionista bilíngue até a limpeza da areia das quadras de vôlei de praia. Um dos trabalhos mais esperados pelos voluntários está por vir: as Olimpíadas 2016. Em 2007, os jogos Pan Americano, contaram com mais de 80.000 inscritos, mas apenas 20.000 foram selecionadas. Quem não conseguiu no Pan, e ainda tem guardado esse desejo, pode agora concorrer para trabalhar nas Olimpíadas. Em 2009 o site de candidatura Rio 2016 recebeu mais de cinco mil inscrições. Apesar de não estarem reabertas a expectativa já é grande, na rede social facebook existe a fanpage Voluntários –Rio 2016, com mais de 19.500 “curti”, apoiando o tema.

De acordo com o Comitê Olímpico Brasileiro, esta seleção terá alguns critérios na hora da escolha: candidatos que entendam o conceito de diversidade na hora de servir e de serelacionar com o público.

A torcida já começou bem antes de 2016 para muita gente. Flávia Jacques tentou ser voluntária em 2009, não conseguiu. Torce para ser selecionada dessa vez “Perdi as primeiras inscrições, mas agora estou atenta ao site oficial, quero participar e contribuir com meu carinho e dedicação. Já faço trabalho voluntário em um pré-vestibular comunitário e gostaria de ampliar esse tipo de experiência”, disse a aluna de licenciatura em biologia na UFF.

O crescimento de interesse pelo voluntariado no Brasil é jovem. Em 1995, a então primeira dama Ruth Cardoso criou centros voluntários em todo o Brasil, capacitando o trabalho voluntariado e estimulando este tipo de prática no país. Essa iniciativa pode também ser conveniente para o voluntário: ensina uma profissão, dá experiência e ainda mostra que o profissional tem pró-atividade, é engajado com questões sociais e se compromete. Nos últimos anos ficou cada vez mais comum adicionar nas informações do currículo a experiência voluntário.


Taxistas na corrida para a Rio 2016


Site alertanoticias
Debora Margem
A quinta edição do projeto “Taxi! Corrida para o Futuro” é parte dos preparativos para receber milhares de turistas em 2016. O programa tem o objetivo de qualificar os taxistas cariocas. O curso é gratuito e oferece aulas de idiomas (inglês e espanhol básicos), turismo, direção defensiva, entre outras disciplinas. Foram abertas 120 vagas para turmas e as aulas terão início no próximo dia 24 e vão até março de 2013. Outro projeto voltado a qualificação dos taxistas é o “Taxi Boa Praça”, lançado pela Riotur que irá qualificar e reorganizar o sistema de taxistas no município. Novas regras foram criadas para os taxistas que usam pontos de taxis em áreas turísticas e aeroportos. Os taxistas não poderão ter mais de 20 pontos na carteira, e deverão ter o conhecimento de inglês e espanhol. Os licenciados nesses locais terão até 12 meses para se qualificarem. 

Na prática, o programa “Taxi! Corrida para o Futuro” vem mostrando problemas. Segundo a a página de inscrição do programa no site do Detran-RJ as 120 vagas abertas já foram preenchidas. As inscrições que iriam até dia 21 deste mês foram antecipadamente encerradas. O número de vagas oferecidas não chegam perto do número de taxis registrados no Rio de Janeiro. Dados do portal IG, retirados do SMTR no site da prefeitura, mostram que a cidade tem hoje uma frota de aproximadamente 32 mil táxis, a segunda maior do País. Associado a sua população de 6,3 milhões de habitantes, esse número coloca o povo carioca em uma situação aparentemente privilegiada de um táxi para cada 198 habitantes. Mas a capacitação não chega a todos os profissionais da categoria.

Pouco antes do Panamericano, realizado no Rio de Janeiro em 2007, a Prefeitura lançou o programa “Rio + Hospitaleiro”, que também ofereceu cursos gratuitos de idioma para os taxistas. O curso obteve críticas na época em relação a sua duração, considerada pequena para o aprendizado necessário. A base dessa capacitação se mostra defasada. Não há uma pesquisa de quantidade de taxistas que falam outro idioma no estado do Rio de Janeiro. De olho na Copa do Mundo de 2014, a São Paulo Turismo realizou uma pesquisa inédita para averiguar quantos taxistas falam outro idioma na cidade. A pesquisa revelou que 71% dos motoristas só falam português. O idioma mais falado pelos taxistas é o inglês com 14,5% , seguido pelo espanhol (9,2%), japonês (1,3%) e francês (1,1%). A pesquisa ainda mostra que a falta de outro idioma é a principal melhoria requisitada pela categoria (67,5%). A pesquisa ainda mostra a média de escolaridade e perspectivas dos taxistas que acreditam em um melhora na rotina com a Copa do Mundo em 2014. Desde 2006, o Observatório do Turismo da SPTuris mantém um serviço atualizado de acompanhamento dos indicadores relacionados ao turismo da cidade de São Paulo, servindo de referência para o setor. À Riotur por sua vez falta essa iniciativa.

Caso não esteja em um ponto turístico ou em aeroportos, uma dica para pegar um bom taxi é usar o aplicativo Taxibeat. O programa mantém contato com os taxistas que são avaliados por notas dadas pelos últimos usuários. O passageiro pode escolher o taxi que quer pegar com base na melhor avaliação, o melhor veículo ou o mais próximo a você. O aplicativo está disponível para iphones e androides.

Zona Portuária tem sistema de coleta de lixo limpa


Fonte: Divulgação
Mariah d'Avila

A revitalização da região portuária do Rio de Janeiro abrange alterações no espaço físico, mudanças no sistema de transportes público e uma nova forma de coleta de lixo. Centro, Saúde e Gamboa serão áreas pioneiras na implantação do sistema de coleta de lixo Coleta +Rio, uma maneira diferente e pioneira de coleta seletiva. 


As latas de lixo que ficam nas calçadas contém um fundo falso. Assim, os resíduos são armazenados em contêineres subterrâneos, com capacidade para três mil litros de material, evitando o contato direto com o lixo, o mau cheiro e os ratos e baratas. Além disso, desobstrui as calçadas dos sacos de lixo e faz com que os caminhões da Comlurb não tenham mais que passar pelas ruas fazendo coleta. 

O projeto se inspirou em um exemplo português, da cidade de Portimão, e foi desenvolvido pela Concessionária Porto Novo. Além de Portugal, na Europa há outras cidades que também adotaram o sistema, como Barcelona, na Espanha. Nessas cidades, os contêineres são ligados a uma tubulação que suga o lixo para um centro de separação de resíduos. No Brasil, a cidade de Paulínia, no interior de São Paulo, também utiliza o armazenamento subterrâneo de lixo. 

A Porto Novo recolhe por mês em média mais de mil toneladas de lixo nas ruas dos bairros do Centro, Saúde e Gamboa. Para o projeto inicial, serão 42 latas de lixo, sendo 21 para produtos orgânicos e as outras 21 para recicláveis. 

A atenção ao meio ambiente faz parte do projeto olímpico. Entre as ações da cidade voltadas para o desenvolvimento sustentável, estão o envio dos entulhos das obras na cidade para novas usinas de reciclagem, onde haja separação dos resíduos orgânicos dos recicláveis; a redução do lixo enviado para os lixões; e a criação de um programa de reciclagem do material da Olimpíada.

Rio se inspira em Londres na acessibilidade


Ligia Lopes


O Rio de Janeiro, capital das Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016, se inspirou nos jogos de Londres deste ano, cidade que foi reconhecida mundialmente pela infraestrutura de acessibilidade aos deficientes. A cidade carioca adotou, desde sua candidatura, em 2009, a legislação federal sobre acessibilidade (Lei 10.098/2000), classificada pela Organização das Nações Unidas (ONU) como uma das mais completas do mundo em relação às necessidades especiais. Para cuidar dessa questão dentro das instalações esportivas, foi criada a área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado do Rio 2016.
Cerimônia de encerramento das Olimpíadas de Londres 2012 apresenta o Rio como sede de 2016
(Foto: Getty/Olympic.org)

Algumas das medidas tomadas em benefício dos portadores de necessidades especiais foram a aplicação de pisos antiderrapantes, sinalização sonora e elevadores para cadeirantes nos veículos das novas linhas de BRT.

– As estações estão sendo construídas com rampas de acesso e piso tátil, além de uma catraca especial para deficientes e uma área de espera com total acessibilidade – exemplificou Roberto Ainbinder, diretor de projetos da Empresa Olímpica Municipal (EOM).

A Empresa Olímpica Municipal (EOM), da Prefeitura do Rio, é uma organização criada para coordenar os projetos olímpicos e trabalhar em parceria com o Rio 2016.

Os governos federal, estadual e municipal preveem maior conscientização da população em relação à acessibilidade e garantiram que haverá integração total dos deficientes na infraestrutura dos jogos, conforme as normas. Segundo o site oficial do Rio 2016, todos os sistemas de transporte público na cidade terão total acessibilidade até o ano dos jogos e os padrões de acessibilidade do Comitê Paralímpico Internacional serão aplicados em todos os novos hotéis da cidade.

– É importante pensar em todas as edificações com foco na acessibilidade universal. Para isso, é preciso pensar nas pessoas com deficiência física, visual, auditiva e também em pessoas idosas, gestantes, obesos, sem distinção – afirmou Augusto Fernandes, especialista em acessibilidade do Comitê Organizador Rio 2016.

Para os jogos olímpicos e paraolímpicos deste ano, a prefeitura de Londres fez um levantamento e identificou que existem cerca de 20% de deficientes físicos na cidade, e entre 8 e 10% do total dos visitantes de 2012 tinham necessidades especiais. Com o objetivo de incluir socialmente essa parcela da sociedade, foi inaugurado, em março de 2011, o site Inclusive London, onde podem ser encontradas informações sobre os locais da cidade estruturados para receber esse público, como restaurantes, postos de gasolina, hotéis, delegacias e locais de lazer. Já foram registradas mais de 11 milhões de visitas.

Antes de os jogos começarem, o prefeito de Londres, Boris Johnson, emitiu um comunicado prometendo se empenhar integralmente à sociedade: “Me comprometo a fazer os jogos Olímpicos e Paralímpicos de 2012 o mais acessível possível. Assim, todas as pessoas poderão ter acesso aos jogos”.

Quatro milhões de libras foram destinados a um projeto de inclusão social que previa obras de acessibilidade, como a substituição de degraus por rampas, melhor iluminação e sinalização, mais assentos e instalação de corrimãos.

A prefeitura criou, ainda, o projeto Destination London, um curso online que ensina como é possível ajudar deficientes físicos, mostrando os pontos da cidade preparados para eles. Em relação ao transporte, a página reserva um espaço especial, que mostra quais ajustes foram feitos para que o deficiente possa se locomover de metrô, ônibus, táxi, trem, barco ou sozinho. O interessado precisa se cadastrar no site e fazer o teste. Ao final do curso, o aluno ganha um certificado.

A expectativa é que o Rio consiga se tornar uma cidade-modelo tal como Londres se tornou. Segundo a organização dos jogos de 2016 e a Prefeitura, os projetos iniciais já começaram e, atém o ano dos jogos, tudo já estará em funcionamento.

– Nossa tarefa é encontrar soluções arquitetônicas, de engenharia e de comunicação que sejam funcionais e eficazes para entregarmos os Jogos Olímpicos e Paralímpicos com o mesmo nível de serviço – explicou Tânia Braga, gerente da área de Sustentabilidade, Acessibilidade e Legado.

Reformar ou demolir o velódromo do Rio?



Angélica Veiga


Construção do velódromo conforme os padrões do COI
Crédito: COB_LANIMA20110427_0005_1
O governo brasileiro tomou ciência, há dois anos, do descumprimento dos padrões estabelecidos pelo Comité Olímpico Internacional (COI) na construção do Velódromo do Rio, no Autódromo Nelson Piquet, para os Jogos Pan-Americanos de 2007. As construtoras, na época, tiveram gasto médio de R$14 milhões. Duas pilastras centrais, que atrapalhariam a visão dos jurados, é uma das principais reclamações para uso olímpico do local.


  As soluções propostas são duas. A primeira seria a demolição completa do velódromo para construção de um novo. A segunda seria a reforma do já existente, com os ajustes necessários. Aumentar a capacidade para cinco mil pessoas, colocar mais banheiros, vestuários e boxes, melhorar o sistema de refrigeração e reformar a pista são algumas exigências para que se adeque aos padrões internacionais

O projeto de reforma proposto ultrapassaria os R$14 milhões gastos para construção do velódromo em 2007. O investimento previsto para o projeto de reforma seria de R$70,13 milhões, pela prefeitura, para construções permanentes e R$9,28 milhões para construções temporárias que sairiam do cofre do Comitê Organizador Rio 2016, segundo informações do Portal da Transparência e da Empresa Olímpica Municipal. As obras começariam em 2013 e seriam entregues em 2016. 

Para o prefeito Eduardo Paes a melhor decisão é a reforma do espaço, pois muito dinheiro já foi gasto e o espaço precisa seguir útil para o treino dos atletas. “Tenho certeza que a Federação Internacional de Ciclismo, a Federação [de ciclismo] do Rio e o Comitê Olímpico terão condições de propor adaptações ao comitê organizador dos jogos que não seja a simples demolição de algo construído com recursos públicos”, argumentou o prefeito

Mesmo assim, há aqueles que acreditam que a opção correta seja fazer tudo de novo. Para diretor de velódromo da Federação de Ciclismo do Estado do Rio de Janeiro (FECIERJ), Antônio Marcio Domingues Ferreira, é mais fácil construir do que reconstruir. “Teríamos como fazer um velódromo dentro de todas as especificações necessárias de uma forma mais “simples”, já que é mais fácil construir do que modificar o que já está pronto”, comenta o diretor. 

Além disso, Ferreira ressalta que o problema ao optar por reformar o já existente seria a falta de espaço para treino. “Dependendo do que for escolhido e de como for escolhido, poderemos ficar um bom tempo – dois a três anos – sem ter um velódromo para treinar. Se optarmos por construir um novo velódromo, o correto seria construí-lo e quando estivesse pronto e podendo ser utilizado, desmontaríamos o atual”, diz. 

O poder público e o comitê organizador divulgarão o resultado definitivo só no final deste ano. Enquanto isso a licitação do projeto executivo, previsto para ser divulgado este mês pela Empresa Olímpica Municipal, será a diretriz para tomada da decisão final.



Transbrasil promete fluxo de 900 mil pessoas por dia

Otavio Rodrigues

A presidente Dilma Rousseff e o prefeito Eduardo Paes anunciaram que o governo federal financiará o expresso BRT (Bus Rapid Transit), da Transbrasil, corredor que ligará Deodoro ao Aeroporto Santos Dumont. Por meio dos recursos do PAC da Mobilidade Urbana, cerca de R$ 1,129 bilhão serão investidos na construção da via. Para completar o orçamento, a Prefeitura vai aplicar 171 milhões de reais.

O corredor expresso terá 23 quilômetros de extensão, e passará em seu trajeto pelas avenidas Presidente Vargas e Francisco Bicalho. Dessa forma, o novo sistema de transporte ligará as zonas Oeste, Norte e Centro da cidade do Rio de Janeiro. Ainda de acordo com a Prefeitura, a BRT Transbrasil será responsável por transportar a maior demanda de passageiros do mundo. A expectativa é de que o corredor receba uma média de 900 mil pessoas por dia. Além disso, a via expressa da Transbrasil terá conexão com os corredores Transcarioca e Transolímpico. No entanto, para o engenheiro e diretor de implantação de projetos logísticos da Vale Fernando Mac Dowell, que concedeu uma entrevista ao site Caoscarioca, as expectativas da Prefeitura estão longe de serem atingidas, caso o investimento seja feito somente no corredor da BRT Transbrasil (Deodoro-Aeroporto Santos Dumont). Para o engenheiro, o sistema de BRT é um meio de transporte de média capacidade. Portanto, para a Transbrasil ser eficiente, a Prefeitura também precisaria investir em outros meios de transporte, como o Metrô e a Supervia. Qualificando as linhas já existentes do metrô e construindo uma linha de trem paralela à Transbrasil, o fluxo de passageiros seria dividido.

Para a construção da Transbrasil, a secretaria municipal de obras anunciou que a pavimentação e a urbanização das vias ao longo do trajeto serão melhoradas, um trecho da Avenida Brasil será alargado e a rede de drenagem de toda a via será reestruturada. Aa professora da UERJ e vereadora do Rio de Janeiro Sonia Rabello está preocupada com as comunidades que serão atingidas pela construção das vias da Transbrasil. Para a vereadora, os dados da Prefeitura não respondem como e para onde os moradores serão levados

Segundo a Prefeitura, as obras devem ser iniciadas ainda neste ano e tem a previsão de 36 meses de duração. Dessa forma, a BRT Transbrasil terminaria de ser construída em 2015, a apenas um ano dos Jogos do Rio de Janeiro terem início.






Demolição do Autódromo Nelson Piquet gera protestos

Leandro Garrido

O anúncio, pelo prefeito Eduardo Paes, de que a demolição por completo do Autódromo de Jacarepaguá vai começar em janeiro do ano que vem, tem movimentado o debate sobre qual é o melhor uso para a área. O projeto municipal é instalar ali o Parque Olímpico, principal complexo esportivo das Olimpíadas de 2016. Para substituir o circuito, a Prefeitura, em parceria com a Confederação Brasileira de Automobilismo, garantiu o início das obras do novo autódromo, em Deodoro, também para o início de 2013.

Construído em 1978, o Autódromo Nelson Piquet localizado na região de Jacarepaguá, foi palco de corridas da Moto GP, Stock Car e Fórmula 1, mas sofreu modificações estruturais e teve seu tamanho reduzido para construção de instalações do Pan 2007, como o Velódromo da Barra e o Parque Aquático Maria Lenk. Um ano depois, foi anunciada a demolição total do circuito para dar lugar ao complexo esportivo das Olimpíadas. As obras, porém, só vão ser iniciadas para valer em 2013, já que a CBA solicitou que o espaço continuasse recebendo corridas até o fim do ano. 

O Parque Olímpico Rio 2016 é uma iniciativa público-privada e vai sediar 14 modalidades olímpicas e nove paraolímpicas, além de contar com um centro de imprensa e um hotel. A construção e manutenção da área estão a cargo do Consórcio Rio Mais, vencedor da licitação da Parceria Público-Privada, sendo, assim, responsável pelo local durante 15 anos. 

Projeto vencedor do Parque Olímpico (Foto: Divulgação)


Apesar dos investimentos para os jogos olímpicos e a garantia da prefeitura na construção de um novo circuito, alguns automobilistas cariocas se mostraram contrários ao projeto de Deodoro e à demolição do Autódromo de Jacarepaguá. Em manifestação realizada no final de agosto, eles reivindicaram mais respeito com o circuito, considerado um patrimônio da cidade. Segundo os manifestantes, a prefeitura incentivou a especulação imobiliária ao fazer a licitação da área para construção de condomínios de luxo após as Olimpíadas. Em maio, o prefeito Eduardo Paes assinou um decreto liberando o terreno do Parque Olímpico para ser utilizado para fins comerciais.

A professora da UERJ e vereadora do Rio de Janeiro Sonia Rabello ressaltou que apenas 30% deste terreno seria utilizado no projeto do complexo esportivo dos Jogos Olímpicos 2016. O restante seria destinado ao mercado imobiliário. Além disso, ela alertou para o fato de que a região destinada ao novo autódromo tem bioma de mata atlântica, e as obras seriam prejudiciais à fauna e à flora da região.

O professor, médico e ex-administrador Regional de Jacarepaguá, Célio Lupparelli, também criticou a política de demolição e reconstrução de equipamentos públicos por parte da prefeitura. Para ele, demolir o autódromo Nelson Piquet e privilegiar a construção do Parque Olímpico é prejudicar as regiões da Barra e de Jacarepaguá, principalmente a comunidade Vila Autódromo, localizada ao lado do circuito, onde mais de 500 famílias temem ser removidas. A Prefeitura afirmou que a região é necessária para novas construções destinadas aos Jogos Olímpicos, apesar do projeto vencedor da licitação do Parque Olímpico não possuir o terreno em seu plano de obras.

Como tentativa de resolver a questão, a Associação de Moradores, elaborou o Plano Popular da Vila Autódromo, que defende a urbanização da área como melhor opção para os gastos públicos, além de preservar a permanência dos moradores.

Rio precisa ser acessível até 2016

Babi Costa

A rua Rodolfo Dantas, em Copacabana, é um modelo a ser seguido até as olímpiadas de 2016. Oferece rampas de acesso, sinais sonoros, sinais de trânsito inteligentes em braile (botões que acionam o mecanismo que faz o sinal de trânsito abrir para o pedestre), e piso indicativo para deficientes visuais. Esses itens precisam estar presentes em todas as ruas da cidade até as olímpiadas, mas por enquanto esse é o único local onde podem ser encontrados. A via é totalmente acessível desde 2008, quando a prefeitura em parceira com o Centro de Vida Independente do Rio (CVI-Rio), realizou intervenções para o projeto Corredor Acessível. 

A Psicóloga Lilia Martins, que vive na cadeira de rodas há 69 anos, é uma das fundadoras do CVI-Rio, relata que existem mecanismos para que as adaptações sejam feitas, mas as obras precisam começar em breve.

– Tudo pode ser feito, mas isso leva tempo, então precisa começar o mais rápido possível. Quando adaptamos a rua Rodolfo Dantas, era para ser um piloto e serviria como modelo. Com o efeito cascata, esperávamos que outras iniciativas fossem sendo tomadas e se espalhassem pelos bairros, mas esse projeto não teve continuidade. Espero que com tantos grandes eventos essa iniciativa seja duradoura – explicou ela

Para Lilian a acessibilidade não pode ficar apenas nas ruas, tem que estar presente em todos os cantos da cidade.

– O problema vai além das vias, na cidade quase não há hotéis que possam receber deficientes. Nem os próprios apartamentos e prédios são adaptados, a cidade se torna uma corrida de obstáculos – disse Lilian.

Segundo o censo realizado pelo IBGE, em 2010, são apenas 38 quartos adaptados em hotéis, pousadas e albergues em toda a cidade. Nos domicílios, o censo apurou apenas a presença da rampa para cadeirantes e há 162 mil domicílios com essa instalação, de um total de 1,88 milhão, o que não atende os 828 mil portadores de algum tipo de deficiência que a cidade abriga.

Projetos para adequar a cidade

Para alcançar a meta de se tornar 100% acessível até as olímpiadas de 2016, a prefeitura da cidade criou diversas iniciativas. Uma delas é o Calçada Lisa, que pretende transformar 700mil m² de passeios públicos. As calçadas cariocas receberam a pior nota – 4,5 - entre as 12 capitais brasileiras pesquisadas pelo site Mobilize Brasil.

As frotas de ônibus também precisarão passar por adaptações. A Rio Ônibus tem em sua frota atual apenas 60% dos seus carros adaptados e terá que aumentar esse número para 100%.

Das 99 estações da SuperVia, apenas duas têm capacidade de receber pessoas com deficiência, segundo um relatório feito pelo Instituto Brasileiro dos Direitos a Pessoa com Deficiência (IBDD).

Moradores da Vila Autódromo desafiam prefeitura

Mateus Campos


Embora a propaganda oficial insista em afirmar o contrário, existe uma parcela dos cariocas que está longe de incorporar o espírito olímpico. É o caso das 450 famílias da Vila Autódromo, comunidade pobre da Zona Oeste, que resistem às tentativas de remoção por parte da Prefeitura do Rio. Assentadas no lugar desde a década de 1960, as famílias seriam removidas para um conjunto residencial a ser construído pelo programa Minha Casa, Minha Vida. Muitas das famílias que ali residem têm concessões de direito real de uso – documento em que o poder público concede o uso do terreno a terceiros.

Segundo o poder municipal, a comunidade -- que tem uma área de cerca de 1,18 milhões de m² -- tem que deixar de existir porque está na rota da Transolímpica e da Transcarioca, corredores expressos projetados para desafogar o trânsito da cidade. O professor Carlos Vainer, do IPPUR/UFRJ contesta o argumento da prefeitura. Segundo ele, o projeto das vias foi alterado com elas já em obras “somente para passar por cima da comunidade”.

O fato é que a iniciativa de remoção não é nova. Os problemas remontam à primeira administração de Cesar Maia (1993-97) e se intensificaram no período anterior aos jogos Panamericanos de 2007, já no terceiro mandato de Maia (2005-09). Diversos argumentos já foram usados: que a comunidade, por estar situada próxima à Lagoa de Jacarepaguá, representa um perigo ambiental, e que a desocupação do lugar seria uma exigência do Comitê Olímpico Internacional.

O Comitê Popular Rio Copa e Olimpíadas, defensor dos interesses dos moradores, refuta as duas argumentações. Segundo eles, as construções em área de proteção ambiental somam apenas 5% do total, e se comprometem a regularizar a situação, removendo ou adaptando as construções irregulares.

O Comitê Popular ainda diz que o projeto do Parque Olímpico que venceu o concurso promovido pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil (IAB) mantém a Vila Autódromo e reconhece o lugar como Área Especial de Interesse Social.

A área que a comunidade ocupa é muito valorizada e está em crescente expansão. A prefeitura pretende ceder o local, através de uma Parceria Público-Privada, para um consórcio privado que planeja construir condomínios de alta renda.

A Associação de Moradores da Vila Autódromo elaborou um plano de urbanização para manter a comunidade, com a assessoria técnica de especialistas da UFF e da UFRJ. O plano, entregue ao prefeito Eduardo Paes no dia 4 de setembro, prevê condições adequadas de moradia e urbanização sem a necessidade de remoção. O prefeito, contudo, não se comprometeu em acatar as sugestões.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Região da Vila Olímpica tem drenagem de rios

Sarah Bazin

Drenagem na estrada Grajaú-Jacarepaguá
Foto: Divulgação Prefeitura 
O bairro de Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, está recebendo um extenso projeto para recuperação de sua bacia hidrográfica. A principal obra é a de drenagem dos rios e córregos que passam pelo local. O objetivo do projeto é aumentar a capacidade de armazenamento da água da chuva dos rios da região e criar um novo projeto paisagístico. Dos 14 rios que correm para a Lagoa de Jacarepaguá e da Tijuca, que devem receber a drenagem, quatro já estão prontos: Córrego da Panela, Rio Itanhangá, São Francisco e Papagaio. A previsão é de que mais quatro sejam concluídos até o final do ano. O projeto total deverá custar R$340 milhões aos cofres públicos e é feito pela Secretaria Municipal de Obras junto com a Rio-Águas.

A região é famosa pelas grandes enchentes das décadas de 1990 e 2000, que aconteciam, principalmente, por causa da má distribuição do escoamento da água, de lixo nos leitos, e outros sedimentos que impediam o fluxo dos rios. Hoje a área tem grande atenção do público e da prefeitura, pois é onde ficarão sediados o Parque e a Vila Olímpica das Olimpíadas de 2016.

Os sistemas de drenagem de água de chuva no Brasil estão defasados, mostra uma pesquisa de estudantes da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). São sistemas planejados para o momento presente, baseados no intuito do escoamento rápido, o que gera problemas no futuro, já que não previram um aumento da população, das construções e da circulação no local. Os projetos antigos agravam a possibilidade de enchentes nas regiões próximas aos leitos dos rios. Os sistemas que existem hoje não comportam as novas demandas das cidades, que cresceram em área e população, além de não serem sustentáveis.

A atual obra de drenagem dos rios e córregos de Jacarepaguá pretende ser um projeto sustentável. Ou seja, pensar não apenas no presente, mas partir de um projeto de estudo da área onde será feita a drenagem para que se possa controlar o escoamento da água dos rios. Isso é o que, ainda segundo os estudantes da UFRJ, faz um projeto ser sustentável. Esse controle é feito principalmente a partir de galerias que podem armazenar a água da chuva, além de fazer a evaporação e a evapotranspiração (a evaporação da água, do solo e da vegetação da região), o que devolve em forma de vapor a água para a atmosfera.

Isso significa que, depois da obra, o comportamento da área passa a ter condições similares a quando o lugar ainda era “virgem”, ou seja, sem a ação humana. Assim, a região drenada terá um menor escoamento pela superfície (o que diminui o risco de enchentes), um baixo risco de erosão e de poluição, além de diminuir a necessidade de investimentos do mesmo estilo nas áreas mais adiante dos leitos dos rios.

No Rio de Janeiro, a prefeitura pretende fazer as galerias no entorno das lagoas de Jacarepaguá e da Tijuca, além de uma macrodrenagem dos rios de leitos grandes, preparando para uma vasão de água bem maior do que o normal. Essa drenagem também aumenta a profundidade e a largura dos rios, diminuindo ainda mais o risco de enchentes. Assim, outro objetivo do projeto é ajudar as populações que vivem nas áreas próximas aos leitos, que podem passar a conviver com um rio em um nível muito mais baixo, sem ocorrer transbordamentos, como já aconteceram em outras ocasiões.

A Secretaria de Meio Ambiente tem um projeto de implantação de 25 km de ciclovias, ou pistas compartilhadas, nas áreas de intervenção do Projeto de macro drenagem da Bacia de Jacarepaguá, que se une ao projeto paisagístico de recuperação do local, todos na linha sustentável pela qual a cidade está tentando seguir.

Por um Rio com mais quartos


Yasmin Lourenço

O Rio está pronto para sediar uma Olímpiada? Já se tornou retórica. A resposta “não” é comum a todos os moradores da cidade. A cidade, hoje, não tem capacidade para abrigar os 500 mil turistas esperados pelo Ministério do Turismo. Atualmente, o Rio tem 67 mil leitos e precisa triplicar esse número para os Jogos Olímpicos.


Uma das alternativas é a hospedagem em navios. Com investimentos das três esferas de governo e da iniciativa privada será construído no Porto do Rio de Janeiro um píer com capacidade para atracação de até sete navios. O Presidente da Autoridade Pública Olímpica, Márcio Fortes, explicou que haverá oferta de 10 mil quartos para 24 mil pessoas, sendo assim se torna uma alternativa suplementar à oferta hoteleira. Ele ainda garantiu que até as Olímpiadas as obras já estarão terminadas.


Uma solução para turistas que querem se hospedar na cidade mas se deparam com aluguéis caríssimos é procurar nas Favelas. Apesar de terem aumentado junto com os outros aluguéis da cidade, ainda continua sendo uma opção mais barata. O jornal “El Mundo”, da Espanha, cita a moradia em Favelas como a alternativa mais acessível.


Outra opção é a hospedagem domiciliar. A Prefeitura do Rio colocou no ar, desde maio deste ano, o site www.hospedario.com.br, que reúne opções de hospedagem domiciliar na cidade. No site, o internauta tanto pode oferecer sua casa para hospedar turistas quanto pode procurar para se hospedar. Segundo o Presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, a iniciativa só está afirmando a característica carioca de ser um povo hospitaleiro, povo internacionalmente reconhecido por sua hospitalidade, reunindo num só endereço anfitriões que queiram receber turistas em suas casas e visitantes que busquem esse tipo de hospedagem.