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Este blog tem o objetivo de publicar a produção de textos dos alunos das turmas de Laboratório de Jornalismo Impresso, PUC-Rio, 2012.2.

quarta-feira, 17 de outubro de 2012

São Januário deve abrigar o rugby em 2016


Victor Belart

O estádio de São Januário sofrerá uma grande reforma para sediar - em 2016 - as disputas de um jogo com origem inglesa e praticado sobre a grama. Bola, chuteiras e meiões completam o cenário das partidas. Se os elementos indicam um esporte no qual  o Brasil é pentacampeão,  na prática, o rugby  nacional jamais chegou a disputar uma Copa do Mundo. Amadorismo e desconhecimento do grande público marcam o cenário da modalidade responsável por uma das obras de maior investimento entre as sedes para 2016.
A disputa do rugby nas Olimpíadas era comum no início do século XX. O esporte figurou nos jogos de 1900 a 1924.  A modalidade deixou de participar da festa pelo então baixo índice de seleções inscritas no torneio. Paralelamente aos Jogos Olímpicos, o rugby passou a se desenvolver mundialmente de forma lenta. Só em 1987 foi disputada a primeira Copa do Mundo, mais de 100 anos depois do esporte ter sido criado.
Numa forma semelhante ao que acontece no futebol com Brasil e Argentina, o rugby é dominado por potencias europeias, mas divide espaço com os dois maiores países de um continente no hemisfério sul. Austrália e Nova Zelândia, que têm seleções pífias no futebol, são verdadeiras potências do rugby. Os dois países foram, inclusive, sede dupla do Mundial de 1987. A partir desse primeiro torneio, o rugby passou a se desenvolver ao redor do planeta de maneira mais integrada. O Campeonato Mundial ganhou força  nas últimas décadas e atualmente os marcadores de audiência do torneio só ficam atrás da Copa Mundo de Futebol e das Olimpíadas.
Impressionados com a força recente do rugby, os dirigentes do COI passaram a repensar a inclusão do esporte nos Jogos Olímpicos. Com a saída do beisebol e do softbol , alguns membros da Federação   tentaram incluir o rugby no evento.  Depois de derrotado na primeira votação, o rugby conseguiu em 2009, o aval dos dirigentes do COI para retornar às Olimpíadas. A reestreia do jogo está marcada para 2016, numa cidade sem a menor tradição e interesse pelo esporte.
A confirmação do retorno Olímpico do  rugby se deu no mesmo ano em que o Rio foi escolhido como cidade sede dos Jogos. Como o esporte ainda não estava solidamente confirmado para 2016, o projeto de logística para realização das partidas de rugby naquele momento não passou de coadjuvante. A partir daí, a discussão sobre quem abrigaria o rugby no Rio passou a se dividir entre o Estádio Olímpico, que já seria reformado para os Jogos, e São Januário, octogenário estádio do Vasco.
Oficialmente, o rugby ainda não tem casa definida pelo COI para 2016. Vascaíno assumido, o prefeito Eduardo Paes nunca escondeu o interesse de que a arena cruzmaltina abrigasse o esporte. Apesar de ainda não ter sido confirmada pelo Comitê Internacional, a escolha de São Januário como sede do esporte parece encaminhada. De olho na visibilidade e em possíveis melhorias para seu estádio de futebol, o Vasco sempre se mostrou a favor da realização dos jogos de rugby em sua casa. Sem tradição nenhuma no esporte, o clube montou inclusive um projeto de preparação para jovens atletas visando as Olimpíadas.
Além do Vasco, outros clubes de futebol como Corinthians e Portuguesa, junto de clubes de pequeno porte como Alecrim e Galícia já apoiam o rugby. Apesar de fãs e patrocinadores defenderem que o rugby vem tendo um crescimento estratosférico no Brasil, na prática o esporte ainda não tem uma liga integrada. O país nunca participou de Copa do Mundo no esporte e brigará pela primeira vaga em Londres 2015. A realização do mundial na capital inglesa pode servir como compensação para os britânicos frustrados com a ausência do esporte nas Olimpíadas desse ano.
O retorno do Rugby aos Jogos Olímpicos foi confirmado justamente quando Londres se preparava para sedear as Olimpíadas. Com isso, os ingleses sugeriram a inserção da modalidade já em Londres 2012 como esporte de demonstração. A proposta levada ao COI motivou os organizadores britânicos, que construíram seu EstádioOlímpico para 80 mil pessoas esperando um uso constante e divisão de atividades entre atletismo, rugby e futebol. O COI vetou a participação demonstrativa do esporte em Londres.  Como os clubes londrinos de futebol já possuem estádios próprios, a arena Olímpica pode se transformar num caso clássico de elefante branco. Para evitar que o estádio não caia no desuso, as autoridades britânicas já buscam estimular a realização de partidas de rugby no estádio.
Assim como ocorre em Londres, a casa do rugby em 2016 abrigará o esporte através de incentivo das autoridades locais. Em 114 anos de existência, o Clube de Regatas Vasco da Gama nunca havia investido na modalidade antes da possibilidade de reforma em seu estádio para receber o rugby olímpico. Motivado pela realização dos jogos em São Januário - e agora já preocupado em ter o rugby em suas divisões de base - o Vasco enviou, em outubro, representantes a Londres para esclarecer dúvidas sobre o esporte e melhorar a estrutura de São Januário para receber o rugby.
Diferente da recém-construída Arena Olímpica de Londres, São Januário é um dos estádios mais antigos do Brasil. Construído por comerciantes portugueses na década de 1920, o estádio teve seu auge na Era Vargas, quando o presidente populista discursava das sociais e era ovacionado por brasileiros agradecidos pelas leis trabalhistas. Em 2000, o estádio protagonizou um vexame nacional quando seu alambrado desabou por conta da superlotação em plena final de Campeonato Brasileiro.
Em Londres, o estádio Olímpico, que seria casa do Rugby, foi construído dentro do parque Olímpico da cidade. No Brasil, se consolidado em São Januário, o tradicional esporte inglês será vizinho da comunidade Barreira do Vasco, que tem cerca de 2 mil habitantes estimados . Apelidada com o nome clube vizinho, a comunidade no coração do bairro imperial de São Cristóvão está ameaçada  pelas remoções urbanas para 2016. Graças ao rugby em São Januário, a Secretaria de Habitação da Prefeitura já concebe a possibilidade de reassentamento de algumas moradias na região. Se seguir os moldes do que vem sendo a estratégia de reordenação urbana do Rio, a brutalidade do rugby como esporte de contato pode ser usada ao pé da letra, de uma forma bem menos amistosa do que os Jogos Olímpicos dizem ser.

terça-feira, 16 de outubro de 2012

Olimpíadas Escolares prometem revelar atletas




Foto de divulgação 
Por Debora Margem
A oitava edição das Olimpíadas Escolares está entrando em sua segunda etapa. A competição para atletas entre 12 a 14 anos chegou ao fim em setembro e deu espaço para as disputas da categoria de 15 a 17 anos. Com recordes na natação e no atletismo, a etapa inicial, realizada em Poços de Caldas (MG), revelou jovens atletas. Em edições anteriores, a competição revelou grandes nomes do esporte olímpico. É o exemplo da judoca medalhista de ouro Sarah Menezes, que esse ano voltou como embaixadora do projeto. O nadador Leonardo de Deus, a velocista Ana Cláudia Lemos e a pivô do basquete Clarissa dos Santos, que lutaram por medalhas em Londres, são outras inspirações para os novos atletas que participam do projeto. São meninos e meninas que almejam uma carreira profissional no esporte e, como seus incentivadores, chegar até as Olimpíadas no Rio de Janeiro, em 2016.


As Olimpíadas Escolares são o maior evento estudantil esportivo do Brasil, organizado e realizado pelo COB (Comitê Olímpico Brasileiro), Ministério do Esporte e Rede Globo. No total 3.641 alunos-atletas competiram e foram observados pelo Comitê Olímpico Brasileiro e pelas Confederações Brasileiras de cada modalidade. A competição é tida como referência internacional e reúne alunos de instituições de ensino públicas e privadas de todo o país. Os atletas disputam nas modalidades: atletismo, badminton, taekwondo, basquete, ciclismo, futsal, ginástica rítmica, handebol, judô, natação, tênis de mesa, vôlei e xadrez. Este ano a competição conta com duas novas modalidades: lutas (12 a 14 anos) e vôlei de praia (15 a 17 anos). Em 2011, na etapa nacional participaram 1.129 instituições de ensino sendo 710 públicas e 419 particulares.


Além das competições, as Olimpíadas Escolares incluem palestras, demonstrações, premiações e atividades culturais. Os jogos servem como observação para técnicos e auxiliares das categorias de base do Brasil. Só na primeira etapa desta edição já passaram pelas arquibancadas dos ginásios de Poços de Caldas os técnicos Morten Soubak (seleção feminina de handebol) e Maurício Thomas (seleções brasileiras femininas infantil e infanto-juvenil). Além do auxiliar-técnico das seleções masculinas, Vinícius Gamino Gomes, o Alegrete. Os representantes do vôlei e o diretor geral das Olimpíadas Escolares 2012, Edgar Hubner, anunciaram a formação da primeira seleção escolar do esporte nacional, formados por os 18 meninos e meninas que se destacaram na bateria de jogos. 

Para participar da Etapa Nacional é preciso que a escola passe pelas etapas classificatórias no município e no estado, realizadas pelas Secretarias de Esportes e/ou Educação Municipal e/ou Estadual. Nas seletivas estaduais, são mais de 2 milhões de atletas em cerca de 3.900 cidades participantes. Com a proximidade da segunda etapa nacional, estudantes de escolas públicas e privadas acirram a disputa pelo título de campeão estadual, o que garante vaga para a etapa nacional do projeto. No Rio de Janeiro, as finais do futsal, vôlei, basquete e handebol serão disputados no Ginásio do Maracanãzinho nos dias 24 e 25 de outubro, garantindo aos jovens estudantes a oportunidade de competir em uma das instalações esportivas dos Jogos Olímpicos Rio 2016. 

O projeto recebe também visitantes ligados a Comitês Olímpicos Nacionais. Na última edição, representantes de 13 nações estiveram no evento para conhecer o evento e levar o aprendizado aos seus países. Os bons resultados dos atletas que passaram pelas Olimpíadas Escolares em competições de alto rendimento mostram o sucesso do projeto. Nos Jogos Sul-americanos de Medellín em 2010, participaram 57 atletas dos 561 que estiveram nas Olimpíadas Escolares, conquistando 31 das 335 medalhas brasileiras. No mesmo ano, 35 dos 81 competidores brasileiros dos Jogos Olímpicos da Juventude em Cingapura, já haviam disputado o evento escolar.    


Rio corre risco de viver uma bolha imobiliária

Lúcio Oliveira

Um estudo conduzido por pesquisadores do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) aponta a existência de uma bolha especulativa no mercado de imóveis do Brasil. O risco é que aconteça no país o mesmo estouro da bolha imobiliária nos EUA. Para os dois economistas que realizaram o estudo, a disparada do preço das casas, terrenos, apartamentos e locações comerciais estão resultando em valores irrealistas, incompatíveis com os movimentos de oferta e procura. Só entre janeiro de 2008 e março de 2012 a variação média do preço do imóvel no Rio de Janeiro foi de 168%, maior aumento dos preços na história da cidade em um período de quatro anos. 


No Rio, a elevação tem se justificado em grande parte pelas Olímpiadas de 2016, que intensificou as obras públicas, tanto estéticas quanto de infraestrutura. Já a estabilização econômica e a expansão do Produto Interno Bruto na última década (média de 3,6% por ano de 2000 a 2010), aliados a uma inflação controlada, permitiram aumento do poder de compra médio do brasileiro. A junção destes fatores com a gradual queda na taxa de juros diminui o custo de financiamento – fator fundamental, segundo a pesquisa – já que grande parte das transações imobiliárias é levada a cabo com financiamento de longo prazo. 

Comparativo de taxas de crédito pelo PIB em valores aproximados
Fonte: Goldman Sachs (2011)
Porém, não é somente com disparada nos preços do metro quadrado que uma bolha estoura. A grande vilã é a oferta de crédito elevada, isso vale não só para os imóveis, mas para qualquer tipo de bolha de investimento. Segundo o economista Ricardo Amorim, comentarista do programa Manhattan Connection, da GloboNews, e presidente da Ricam Consultoria, o crédito farto possibilita que os investidores comprem algo que não poderiam, aumentando o endividamento. A relação do crédito é de 46,5% pelo PIB, considerado baixo se comparado à maioria dos países desenvolvidos, onde esse nível é maior que o PIB. Mesmo com o crescimento observado desde 2004, o crédito imobiliário – o mais suscetível a gerar uma crise, já que envolve altos valores para a pessoa física – ainda figura entre os mais baixos do mundo. Apesar de ter subido muito nos últimos anos, os créditos hipotecários no país não chegam a 5% do PIB. Amorim explica que em todas as bolhas imobiliárias que ele estudou, essa relação superava 50%. Nos Estados Unidos, um ano antes de estourar a mais notória bolha hipotecária das últimas décadas, em 2008, esse índice era de 79%. 

O que faz uma bolha estourar é uma súbita ruptura com a oferta do crédito, geralmente associada a uma elevação do custo do dinheiro (causada pela elevação da taxa de juros). É exatamente o contrário do fenômeno observado no Brasil, onde o crédito ainda tem muito espaço para expandir e seu custo está em queda. É muito difícil, portanto, uma bolha estourar em uma ou algumas cidades, pois é em é preciso um cenário nacional negativo para fazer a bolha estourar. Se os preços aumentarem acima da capacidade de compra apenas no Rio, por exemplo, a tendência é que eles abaixem naturalmente. Isso se não houver uma crise de crédito no país inteiro. Ricardo Amorim acredita os preços estão realmente elevados até para os padrões internacionais, o que diminuirá consideravelmente o ritmo de aumento nos próximos anos. Pode haver até reduções, o que ele considera saudável e capaz de evitar que uma bolha estoure em um futuro distante.

Treinamento de segurança pública

Raffaela Cardoso


Os agente de segurança pública nacional em treinamento,
ao todo serão 37 disciplinas teóricas e contingência de ações.
Fonte da foto????
Faltam  quatro anos para as olimpíadas ,  e o Rio ainda sofre constantemente com sua guerrilha urbana. Todos os dias observa-se nas manchetes dos jornais algum confronto,  assaltos, tiroteios ou algum relato de acontecimento deste gênero com mortes, tiroteios e perseguição.  

O governo do estado iniciou  seu plano de ação e combate a esse retrato com implantação de UPPs  (Unidade de Polícia Pacificadora) , a tomada de morros que eram os principais focos e centros de tráfico de drogas, e introduziu  novas abordagens para essa triste violência carioca que choca o mundo.

Com a autorização e financiamento  do COI tem como projeto o investimento de 471 milhões  em Segurança Pública: A contratação de 31 mil novos policiais, treinamentos diferenciados e específicos  e uma nova forma de abordagem e tratamento direto com o cidadão

Um dos fatos marcantes das Olimpíadas de Londres mas que não chocava os turistas brasileiros era a presença 24 horas  de policiais armados. Policiais e seguranças armados nas ruas é parte da rotina no Brasil. Em Londres, a maior parte dos policiais não carrega armas de fogo. O simples fato de haver policiais armados no aeroporto de Heathrow e em instalações olímpicas foi motivo de críticas por parte da imprensa inglesa. Cena que já havia sido repetida e altamente criticada quatro anos antes, a presença  também ostensiva de militares no Parque Olímpico de Pequim, em 2008.

A polícia inglesa está longe da perfeição para os padrões mundiais aceitos. Basta lembrar o caso do brasileiro Jean Charles de Menezes, morto em 2005 em uma operação equivocada da Scotland Yard. No ano passado, a morte de um homem pela polícia no norte de Londres foi o estopim para tumultos em toda a cidade. Mas as notícias que chegam do Brasil sobre abusos e equívocos policiais – e sobre tudo os que sequer viram notícia – não nos deixam em condição muito confortável para julgar a competência dos ingleses. Mas em contraponto  o que chamava atenção na capital inglesa  era a maneira como a relação entre os policiais e a população se dá em um nível bem mais cordial, sem a mesma conotação autoritária. Os britânicos e turistas em geral não temiam ou evitavam os policiais, sabiam que eles podiam contar com eles para pedir ajuda ou informação sem medo. Alguns turistas até  pediam para tirar fotos com os policiais.

Os agentes de segurança pública nacional estão sendotreinados e capacitados por policiais norte-americanos para garantir asegurança das Olimpíadas de 2016. As capacitações são resultado de uma parceria entre o Ministério da Justiça e o governo dos Estados Unidos e abordam  diferentes áreas, como gestão de segurança em grandes eventos, sistema de comando de incidentes, gestão em controle de fronteiras, operações táticas. Ao todo serão  37 disciplinas teóricas e planos de contingência e ações.

Além disso,  no Rio de janeiro , alunos e agentes da  polícias Civil, Militar, Rodoviária Federal,Corpo de Bombeiros e Guarda Municipal participam do Curso de Capacitação deOperadores em Segurança de Grandes Eventos e Segurança Turística (COGEST), Com o mesmo objetivo de simular situações de  emergência que podem vir acontecer durantes  grandes eventos esportivos e solenidades.  Os primeiros cursos tiveram como enfoque a segurança de autoridades e os riscos químicos, biológicos, radiológicos e nucleares e também foi feito por policiais da capital do país. No total,  estão sendo treinados policiais federais, civis e militares, guarda municipais e agentes dos bombeiros  de 12 estados, que também participarão da Copa do Mundo em 2014.

 Nos Jogos do Rio 2016, os policiais terão a importante função de garantir a segurança. Mas é preciso ter em conta que eles também serão vistos pelos turistas como uma referência segura  e que precisam ser capacitados e treinados para isso.

Por Raffaela Cardoso 

Despoluição das águas do Rio volta à pauta do dia


Sarah Bazin
Estação de tratamento de água do Canal de Arroio Fundo
Foto: Divulgação Prefeitura do Rio
Um antigo projeto do Estado do Rio de Janeiro vem sendo posto em prática com a chegada da Olimpíada de 2016: a despoluição de rios, lagoas e baía. A prefeitura inaugurou em 2010 a primeira estação de tratamento de águas fluviais na região do Canal de Arroio Fundo, na Barra da Tijuca. Mais quatro estão sendo construídas, a de Rio das Pedras, Arroio Pavuna, Pavuninha e Canal do Anil. Todas essas centrais vão desaguar na Lagoa de Jacarepaguá, nos arredores da qual estão sendo construídos o Parque Olímpico e a Cidade Olímpica.

O governo se comprometeu a investir US$ 4 bilhões no Programa de Despoluição da Baía de Guanabara e da Barra-Jacarepaguá, que pretende coletar e tratar 80% de todo o esgoto até 2016. Além disso, serão investidos pelo setor privado e pela CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) US$ 165 milhões para “renovação completa” da Lagoa Rodrigo de Freitas.

Todos esses programas competem com o antigo PDBG (Programa de Despoluição da Baía de Guanabara) que está há 20 anos no papel e quase nada realmente concluído. Foram investidos até hoje no Programa US$ 1,17 bilhão de recursos do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), da Agência de Cooperação Internacional do Japão (JICA) e do Governo do Estado. Esse dinheiro vem sendo oferecido para o Estado desde 1994, mas nenhum esgoto ainda é tratado na Baía.

Em 1999 uma pesquisa feita pelo Movimento Baía Viva (MBV, que surgiu em 1992) chegou a conclusão de que, para a área de planejamento e gestão ambiental, o custo na época seria de apenas R$ 19,2 milhões. Para Elmo da Silva Amador, um dos fundadores e coordenadores do MVB, “tudo isso já deveria ter sido feito há muito tempo. Mas são obras caras e que ninguém vê. Por isso os políticos nunca quiseram investir”.

As tentativas de conseguir mais empréstimos do BID para a despoluição da baía só não foram frustradas porque o governo teve de mudar o nome do projeto para Saneamento Ambiental dos Municípios do Entorno na Baía de Guanabara (PSAM), que foi assinado pouco antes da Rio+20, em comemoração aos 20 anos da Eco92, quando o PDBG foi assinado.

O Programa de Despoluição já passou por seis governos estaduais. Foi iniciado no governo de Leonel Brizola; passou pelo governo de Marcello Alencar em que praticamente nada foi concretizado principalmente por causa de desvio de dinheiro; e depois chegou aos governos de Anthony Garotinho e Cesar Maia quando apenas 15% das obras foram concluídas, mas nenhuma funciona como deveria. Agora no governo de Sérgio Cabral Filho foram completadas 20% e o a Secretaria de Meio Ambiente promete que até 2016 80% de todo o esgoto da Baía seja tratado.

Até hoje a única obra realmente inaugurada e que está funcionando como prometido é a Estação de Tratamento do Canal de Arroio Fundo, que recebe todo o esgoto da comunidade de Cidade de Deus e grande parte do de Jacarepaguá. Por mês essa estação consome R$ 550 mil para funcionar, chegando a mais de R$ 6 milhões por ano.


Campanha para mascote das Olimpíadas influencia medidas ambientais

Georgia Gomide

O macaco muriqui é um dos três candidatos a mascote dos Jogos Olímpicos em 2016, a ser escolhido pelo governo do estado. O animal, ameaçado de extinção, foi escolhido por apresentar comportamento solidário e trabalhar harmoniosamente em equipe, características que reforçam o ideal olímpico. Acampanha para que o macaco muriqui - maior primata das Américas - seja o novosímbolo dos jogos faz parte do projeto “Aquele Abraço” desenvolvido pelo INEA(Instituto Estadual do Ambiente) em parceria com a Eco-Atlântica e com o apoiodo grupo EBX, de Eike Batista.Biólogos do Inea afirmam que a indicação do muriqui para símbolo dos jogos olímpicos é uma forma de chamar atenção para a necessidade de se preservar o meio ambiente e proteger espécies em ameaça de extinção. Dessa forma, a campanha não serviria apenas para a escolha do mascote, mas também como forma dos ambientalistas chamarem atenção para o processo de extinção da espécie do primata.

Outra ação de preservação do macaco muriqui é um projeto de implantação do corredor ecológico financiada pelo Grupo EBX em uma área de aproximadamente 400 mil hectares localizada entre os parques estaduais do Desengano, no norte fluminense que abrange os municípios de Santa Maria Madalena, Campos e São Fidélis; dos Três Picos, região serrana do estado que abrange municípios como Silva Jardim, Nova Friburgo, Teresópolis e Guapimirim; e a Reserva Biológica da União em Casimiro de Abreu. O objetivo da iniciativa éunir três grandes parques de preservação para contribuir com a preservação domacaco muriqui. Segundo o diretor de Sustentabilidade da EBX, Paulo Monteiro,nove mil hectares já foram reflorestados graças à iniciativa.


Corredores ecológicos são conexões de zonas verdes entre áreas que sofreram desmatamento ou qualquer interferência. A iniciativa promove ações de preservação e replantio de espécies em processo de ameaça. Os corredores formam caminhos para o livre fluxo da vida selvagem. O projeto do corredor ecológicofaz parte de um programa regional de conservação e restauração florestal emlarga escala.

No lançamento da candidatura do macaco muriqui, em outubro do ano passado, o secretário estadual do ambiente (SEA), Carlos Minc anunciou a criação do Parque Estadual da Pedra Selada, na região de Mauá. A unidade de conservação é uma iniciativa do governo estadual que conta com sete mil hectares e está localizada numa região considerada habitat natural do macaco muriqui. Além da criação das unidades de conservação, que conta com dois parques estaduais e ampliação dos existentes, a Secretaria do Ambiente lançou também campanha para a conscientização das espécies ameaçadas no estado fluminense.


A escolha do macaco muriqui para mascote dos Jogos Olímpicos ainda está em discussão na Secretaria estadual do Ambiente. O primata já conseguiuadesões importantes, em uma campanha apoiada pelo grupo EBX, que investiu R$400 mil no material de divulgação da campanha do muriqui. São camisetas e bonés com a imagem do muriqui, que conta ainda com apoio de artistas como Chico Buarque, Gilberto Gil e Camila Pitanga.


Apesar de o macaco muriqui ser o único que já teve uma campanha lançada, segundo o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) há ainda dois outros candidatos a mascote olímpico; a arara-azul e o papagaio Zé Carioca. A ideia de incluir a arara-azul na disputa tem a ver com o sucesso do filme Rio (2010) onde a ave era o personagem principal. Já o personagem Zé Carioca foi cotado por já ter representado o Brasil no exterior na época de Carmen Miranda. Há ainda um terceiro provável candidato; o mico leão-dourado, candidato que ainda não foi reconhecido pelo COB.



Governo fixa 1% de assentos para deficientes em 2016

Foto: jogoslimpos.org/Teri Gosse
Mayra Nolasco

Tema bastante discutido e inspirado no legado de Londres, a acessibilidade dos jogos olímpicos do Rio de Janeiro ganhou nova atenção do governo no dia 10 de outubro. A Lei 10.098/2000, que diz respeito às normas de acesso de pessoas portadoras de deficiência ou mobilidade reduzida, recebeu uma nova regulamentação quanto às instalações das Olimpíadas e Paralimpíadas 2016. Através do artigo 2º do decreto nº 7823, a presidente Dilma Rousseff determina que os ginásios, estádios e demais locais que sediarão os jogos devem ter o mínimo de 1% da capacidade total de assentos destinados aos deficientes.

Modelo para o Rio, as Olimpíadas de Londres foram um exemplo no quesito acessibilidade. Com um investimento de R$12,8 milhões em inclusão social, a capital britânica mostrou que a preparação de uma sede olímpica vai além dos jogos e deixa marcas importantes na cidade. No Brasil, a expectativa é de que 380 mil turistas visitem o país. Entre os atletas, são esperados mais de 4.200 portadores de necessidades especiais. Para o presidente da Autoridade Pública Olímpica (APO), Marcio Fortes, a acessibilidade é um assunto prioritário.

O novo ajuste reduz a porcentagem decretada anteriormente para casas de shows, cinemas e transportes públicos. Nestes casos, o número de assentos reservados aos portadores de deficiência é de 2% do total oferecido. A diminuição de metade das cadeiras designadas nas arenas se dá pelo tamanho do espaço, já que uma casa de shows não tem o mesmo número de espectadores de um ginásio. O Citibank Hall, por exemplo, é uma das maiores casas de espetáculo do Rio de Janeiro, acomoda até 8.500 pessoas. Comparado ao estádio do Maracanã, que terá capacidade para 78.639 espectadores, a área é pequena e a representação da porcentagem não é significativa. 

De acordo com o regulamento, o Maracanã terá 786 lugares especiais. Caso seguisse a norma utilizada em casa de shows, teria o dobro de cadeiras e maior possibilidade de espaços vazios na arquibancada. 

O decreto repete o que foi norma em Londres. Além de estipular o espaço, a regulamentação também assegura a visibilidade e a acomodação de, no mínimo, um acompanhante por deficiente. Os projetos de construção e reforma de instalações olímpicas que descumprirem a lei não receberão a aprovação do financiamento através de recursos públicos. A gerente de Sustentabilidade e Legado do Rio2016, Tânia Braga, garante a infraestrutura de acessibilidade dos jogos. Para ela, a aplicação das diretrizes de acessibilidade do Comitê Paralímpico Internacional e a legislação brasileira permitem a entrega dos jogos de forma acessível para todos, tanto nas Olimpíadas, como nas Paralimpíadas.

Vila Olímpica carioca terá destino diferente da de Londres

Mateus Campos

Local de reunião das delegações, as Vilas Olímpicas são parte fundamental dos Jogos. Esses espaços, destinados para a moradia dos atletas, também proporcionam o contato entre esportistas de todas as nacionalidades. Medalhistas famosos e atletas iniciantes dividem o mesmo espaço durante o mês de competição. No geral, em toda Olimpíada é assim. Mas o destino dado às construções após os Jogos pode ser bem diferente.

Ao todo, 2.818 apartamentos foram construídos para os jogos de Londres. Para diminuir o déficit habitacional que atinge a capital, o governo britânico optou por destinar 1.379 unidades para programas sociais de moradia, como o Affordable Rent e o Social Rent. Esses programas estipulam o valor de aluguel conforme com a capacidade financeira dos beneficiados. Ou seja, por preços que podem pagar, famílias pobres da região terão o direito de utilizar as habitações erguidas para a Olimpíada, projetadas com design de ponta e integradas ao transporte público.

Já no caso dos jogos do Rio de Janeiro, a prefeitura optou por outro rumo. O consórcio ganhador da licitação para a construção da Vila, que terá 31 prédios na Barra da Tijuca, pretende vender as 3.604 unidades a serem construídas até 2015. A venda deve seguir o modelo da Vila Pan-Americana de 2007, em que todas as unidades foram colocadas à venda.

Na época, os 1.480 apartamentos do complexo pan-americano foram vendidos rapidamente. Os apartamentos com uma suíte custaram aproximadamente R$ 100 mil. Os com duas, cerca de R$ 200 mil. Hoje, o lugar enfrenta sérios problemas de infraestrutura. Moradores reclamam que as obras foram feitas às pressas e apontam problemas como afundamento nas ruas e trincas e rachaduras nos prédios. Menos de 50% por cento das habitações estão ocupadas. 

Raquel Rolnik, relatora especial da ONU para o direito à moradia adequada, criticou o modelo adotado pela prefeitura. Segundo ela, a Barra da Tijuca é um dos lugares do Rio com mais apartamentos desocupados. A venda das unidades da Vila seria, então, um desafio. “É uma quantidade muito grande, será que tem mercado para isso? Não irá virar um lugar fantasma depois dos jogos?”, questionou.

Museu do Índio pode ser demolido por causa do Novo Maracanã

Divulgação: (Câmara Municipal do Rio de Janeiro)
Otávio Rodrigues 

A Secretaria Municipal de Obras (SMO) lançou um edital com o objetivo de urbanizar o entorno do novo Maracanã, que está sendo reconstruído para a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos Rio-2016. Para poder realizar as obras necessárias, o governo do estado estaria próximo de comprar o antigo Museu do Índio, que pertence a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB), para poder transformar toda a região demarcada em um grande estacionamento e também como área de dispersão do público que for ao estádio.

Representantes do Crea-RJ e da Defensoria Pública da União estiveram no Museu do Índio, na rua Mata Machado, no Maracanã, para avaliar quais são as atuais condições estruturais do local. Após a vistoria, o conselho garantiu que o Museu, onde atualmente estão abrigados cerca de 20 índios de diversas etnias e corre o risco de ser demolido, teria condições de ser preservado sem entrar no projeto do novo Maracanã. No entanto, como a estrutura é antiga, o CREA identificou que ela pode ruir e, portanto, as obras no local deveriam ser feitas imediatamente.

Apesar de ser centenária, [P1] a Aldeia Maracanã não é preservada pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico (Iphan). Dessa forma, em busca da manutenção do local, os vereadores Reimond (PT) e Eliomar Coelho (PSOL) apresentaram o o Projeto de Lei nº 1536/2012 na Câmara Municipal, que requisita o tombamento do Centro Cultural indígena da Aldeia Maracanã, o antigo Museu do Índio. Segundo a proposta dos dois vereadores, o prédio deveria ser tombado por conta do seu valor arquitetônico, histórico e cultural, de uso exclusivo a cultura indígena.

O representante da Aldeia Maracanã, Carlos Tukano, está apreensivo quanto ao futuro do antigo museu e ao destino dos índios que vivem no local.

– Não queremos tumultuar, mas saber das autoridades, diretamente, qual é o destino disso aqui. Falaram que ia ser passarela, depois, estacionamento, depois shopping esportivo. Não sabemos de nada, estamos apreensivos.

O governo comunicou que não tem como dar qualquer posição sobre o assunto, já que o Museu do Índio ainda não teve o acerto da compra confirmado. Da mesma forma, o Iphan afirmou que não pode responder sobre o futuro do local porque o prédio não foi tombado pelo instituto.

O último Censo Demográfico do IBGE (2010) aponta que atualmente 817.963 indígenas vivem no território brasileiro. Somente no Rio de Janeiro, 6.784 índios moram na cidade.

quinta-feira, 11 de outubro de 2012

Rio longe da reciclagem

Lucas von Seehausen

Nesse ano, o Rio começou a resolver parte do problema do lixo com o fim do Lixão de Gramacho. Um crime ambiental que era cometido há mais de três décadas foi encerrado. O local, às margens da Baía de Guanabara, recebia 9.500 mil toneladas de lixo por dia, sendo 75% apenas do Rio de Janeiro. Agora, essas 8.343 mil toneladas de lixo produzidas na capital diariamente tem como destino a Central de Tratamento de Resíduos, em Seropédica. Mas a cidade-sede da Rio+20, a conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, ainda está longe de ser sustentável. Apenas 3% desse total são reciclados.A Comlurb, órgão da Prefeitura responsável pelo recolhimento do lixo, recicla apenas 0,25% dos resíduos que recolhe. Os outros 2,75% são de cooperativas de catadores.

A coleta seletiva é deficitária. Apenas 41 dos 160 bairros da cidade são contemplados com o sistema, e mesmo assim o o caminhão só passa uma vez por semana. Até a Copa de 2014, a prefeitura pretende ampliar em cinco vezes o alcance da coleta e aumentar a frequência para duas vezes por semana. As usinas de reciclagem, que hoje se resumem a duas unidades, devem passar para seis. Ainda há mais de 300 mil domicílios na cidade que não têm coleta de lixo regular.

Em grandes eventos, a produção de lixo aumenta em grande escala. Nesse Ano Novo, por exemplo, foram recolhidas 370 toneladas de resíduos só na praia de Copacabana. 


Lixeira high tech de Londres
Foto: Divulgação/Renew    

Nas Olimpíadas de Londres desse ano, o governo implantou o sistema de Coleta Seletiva Tecnológica, para incentivar o descarte correto de resíduos sólidos. Lixeiras de coleta high tech chamavam a atenção das pessoas na rua, com duas telas de LCD e transmissão de notícias em tempo real. Também foram instalados pontos de internet sem fio nas unidades para atrair londrinos e turistas. 

O que mais se aproxima disso no Rio são as lixeiras verdes, o único tipo de cesta para descarte de material reciclável nas ruas. Semelhantes às lixeiras laranjas comuns, essas são destinadas para recolher pilhas e baterias, mas só existem 332 em toda cidade.


Falta acessibilidade nos aeroportos do Rio

Foto: Crefes/Divulgação


Elena Cruz 

Se preparar a cidade para os jogos olímpicos de 2016 já é um desafio, enfrentar as exigências para os jogos Paraolímpicos é um desafio ainda maior. Desde o desembarque na cidade os competidores especiais solicitam cuidados. Os dois aeroportos ,Tom Jobim e Santos Dumont, ainda não são acessíveis a deficientes físicos. Além disso, poderão ter problemas nas viagens nacionais, pois o número de cadeirantes por aeronave é de 50% dos tripulantes de cabine.

O cineasta e professor da PUC-Rio, Silvio Tendler, tem denunciado as as dificuldades que passou a enfrentar desde que se tornou cadeirante: a rampa do Santos Dumont que é inacessível por barreiras móveis, ali colocadas para impedir o estacionamento . Com isso, o deficiente é obrigado a parar bem à frente e voltar pela a rua, colocando em risco a sua segurança, até chegar a rampa novamente. No Tom Jobim ele já teve problemas com o elevador especial. Desde 2007 está em vigor uma resolução da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) que aponta soluções sobre o acesso ao transporte aéreo de passageiros com necessidade de assistência especial, buscando assegurar a esses passageiros o acesso adequado ao transporte aéreo. O superintendente de segurança operacional da Anac, David Neto, admite a necessidade de melhorias na acessibilidade dos aeroportos e pretende rever a resolução de 2007 para o Rio 2016. Já a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), divulgou um plano de ação que promete, até 2013, a instalação de equipamentos e serviços de acessibilidade nos 66 aeroportos administrados pela empresa. Porém afirma que as adaptações de suas instalações portuárias atendem a NormaNBR 9050, da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ANBT) que cuida da acessibilidade a edificações, mobiliário, espaços e equipamentos urbanos, visando maior facilidade a locomoção de deficientes como elevadores e ônibus adaptados.

Exemplo de Londres

Em Londres, as Olimpíadas e Paraolimpíadas 2012 foram exemplo de acessibilidade. Desde o início das obras, as plantas de edifícios novos que não estivessem de acordo com as normas inclusivas não eram autorizadas. A ideia é garantir acessibilidade ao deficiente sem separá-lo por portas laterais ou rampas, mas permitindo sua locomoção pelos mesmos lugares que todos. Os “black cabs” (táxis pretos) foram adaptados para receber deficientes e cadeirantes, inclusive com rampas de acesso para a entrada nos carros. Além disso, as calçadas são niveladas para cadeirantes e com rampas nos pontos de cruzamento. Por fim, a cidade é um modelo a ser seguido pelo Brasil pela infraestrutura e no respeito aos deficientes.





Nuzman vai para quinto mandato sob críticas

Mateus Campos

Reeleito para mais três anos de mandato, o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, está há 19 anos no cargo e acaba de receber passe-livre de 30 das 31 confederações esportivas do país. Na sua quinta gestão, ele vai estar à frente do COB até as Olimpíadas de 2016. Nuzman assumiu o comitê pela primeira vez em 1995 após uma vitoriosa gestão na Confederação Brasileira de Vôlei. Sua meta para o novo mandato é tentar colocar o país no ranking dos dez melhores países em número de medalhas em 2016. 


Apesar da aclamação por parte das confederações, seu trabalho no COB vem recebendo muitas críticas dos adversários. Ex-árbitro da Corte Arbitral do Esporte, Alberto Murray diz que a reeleição de Nuzman é uma demonstração de que a entidade não quer democratizar o esporte, nem torná-lo social e transparente. Murray afirma que, por ser crítico aos rumos do COB, foi retirado do comitê em 2008. 

Os gastos do COB com os jogos de 2016 e os desempenhos modestos dos atletas brasileiros nas Olimpíadas são alvos preferenciais de quem não apoia Nuzman. O jornalista esportivo Juca Kfouri disse em seu blog que “nunca antes neste país se investiu tanto no esporte, coisa de 2 bilhões de reais de dinheiro público” e que, se os resultados não vêm, o problema “reside em quem intermedeia os recursos, há mais de 20 anos no poder”. 

Nuzman também é criticado por acumular a presidência do COB com a do Comitê Organizador dos Jogos de 2016, associação civil responsável por promover e realizar os Jogos. Nas últimas edições, o órgão não foi presidido por cartolas dos Comitês Olímpicos locais

O Comitê Organizador, por sinal, está envolvido em polêmicas após um roubo de documentos confidenciais praticado por funcionários brasileiros na Olimpíada de Londres. Os agentes da Rio 2016 trabalhavam em um processo de troca de conhecimento com os londrinos, mas baixaram arquivos e documentos sobre a logística dos jogos sem autorização. Nuzman minimizou o incidente, demitiu as pessoas envolvidas no escândalo e definiu o caso como “fato isolado”. 

Outro opositor de Nuzman é o deputado federal Romário (PSB-RJ). Ele tem feito campanha no Twitter, onde se manifestou dizendo que, embora já esperasse a reeleição do presidente, irá continuar denunciando “tudo de errado”. Alheio às críticas, Nuzman assumiu o cargo afirmando ter certeza de que é “possível dar um salto de qualidade e quantidade na conquista de medalhas nas próximas edições dos Jogos”.

O segundo maior complexo esportivo dos Jogos

Fonte: Dossiê da candidatura Rio 2016


Mariah d'Avila

O projeto olímpico do Rio de Janeiro para 2016 tem como base principal alguns bairros da cidade. Além da Barra da Tijuca, de Copacabana e do Maracanã, a região de Deodoro é a segunda maior sede de instalações esportivas da Olimpíada. Localizado na Zona Oeste do Rio, o bairro vai abrigar sete competições olímpicas – esgrima, hipismo, tiro esportivo, ciclismo (BMX e Mountain Bike), canoagem e pentatlo moderno – e três paralímpicas – tiro esportivo, hipismo e esgrima sobre cadeira de rodas. O projeto prevê a construção de um parque olímpico e de um centro esportivo. As instalações deverão fazer parte do Centro Olímpico de Treinamento de Deodoro, que começou a ser montado aproveitando o legado dos Jogos Pan-americanos de 2007.

Deodoro tem uma das maiores estações de trem da cidade. Para o acesso ao bairro durante os Jogos de 2016, será construída a TransOlímpica, uma via expressa que ligará a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes à região, prevista para ser estar pronta até o fim de 2015.

Deodoro conta com pouco mais de 10.800 habitantes, número que diminuiu desde o último Censo, em 2000, quando eram cerca de 11.500 moradores. Com o nome em homenagem ao Marechal Deodoro da Fonseca, o bairro teve suas terras cedidas ao Ministério da Guerra ainda no século XIX. Assim, grandes áreas militares e quartéis foram instalados em Deodoro ao longo dos anos e a área tem até hoje uma forte ligação com o Exército. Na região da Vila Militar, se encontra a maior concentração militar da América Latina, com um efetivo de 60 mil homens. Essa relação também pode ser vista no projeto dos Jogos Olímpicos. A maioria das instalações esportivas para a competição fica nessa área.

Apesar de alguns locais já estarem prontos desde o Pan de 2007, as obras que ainda devem ser feitas estão atrasadas. A principal questão envolve o novo autódromo da cidade. O Autódromo Nelson Piquet, que era em Jacarepaguá, foi desativado e o novo será justamente em Deodoro. A construção deve ser feita em uma área residencial, próxima ao bairro de Ricardo de Albuquerque. De acordo com a vereadora Sonia Rabello, em seu blog, existe o risco do projeto causar impactos ao meio ambiente, como o aumento da poluição sonora e a agressão à área verde da região.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Campanha quer preservar 2.016 nascentes até 2016


Debora Margem

Logotipo oficial da Campanha
Logotipo ofical da campanha

A campanha “Água Limpa para o Rio Olímpico”, da secretaria de Agricultura do Estado do Rio de Janeiro, quer garantir água de qualidade para toda a população. Hoje são cerca de 16 milhões de habitantes no estado, e apenas 88,1% de domicílios tem acesso a água encanada. A meta é proteger 2016 nascentes até a Olimpíada do Rio. A iniciativa é parte do programa Rio Rural – Desenvolvimento Rural Sustentável em Microbacias Hidrográficas do Estado do Rio de Janeiro, que visa a melhoria da qualidade de vida no campo. O desafio do programa é conciliar o crescimento da renda do produtor rural e a conservação de recursos naturais.

Com inspiração no espírito olímpico, a campanha busca o apoio de agricultores familiares, prefeituras, empresas privadas, comitês de bacias hidrográficas e outros parceiros. Nas regiões Norte e Noroeste, 12 municípios participaram da campanha, em um total de 393 nascentes preservadas até o momento. Para atingir sua meta, a iniciativa promove ações integradas de conscientização sobre o papel fundamental do agricultor como produtor de água.

Uma das empresas parceiras da campanha é Emater-Rio, Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural, vinculada à secretaria estadual de Agricultura. A empresa dá assistência em instituições de ensino através de uma programação voltada à conscientização da população para a necessidade de proteção das nascentes. Os eventos incluem palestras, plantios de mudas e visitas a nascentes protegidas com a participação de alunos e professores da rede pública, produtores e população em geral. No encontro realizado em Campos dos Goytacazes, jovens do Norte Fluminense ajudaram na revitalização da mata ciliar do Rio Itabapoana e na proteção de três nascentes em Santo Eduardo.

As ações são divididas em proteção de nascentes e reflorestamento de margens de rios. O agricultor recebe os recursos para plantar espécies nativas de Mata Atlântica no entorno das nascentes e para recompor as matas ciliares das margens dos cursos d’água. Essa pratica evita a invasão de animais, poluição e o assoreamento, que contribui para a regularização dos fluxos de água nos rios e favorece a biodiversidade. É o exemplo de Campos dosa Goytacazes. O cuidado com o ambiente vem trazendo as capivaras de volta às terras da unidade rural do Instituto São José, por onde passou a campanha “Água Limpa para o Rio Olímpico”. Cada produtor recebe até R$ 7 mil para adotar práticas de conservação e técnicas econômicas sustentáveis. O Rio Rural emprega U$ 40 milhões do Banco Mundial e vai receber mais um aporte de U$ 100 milhões nos próximos dois anos, para práticas sustentáveis.

A presença do tema sustentabilidade e preservação nas Olimpíadas não é novidade. Londres mostrou que é possível adotar projetos de respeito ambiental. As obras para as olimpíadas foram parcialmente desmontadas e reaproveitadas em outros locais. Um exemplo é a arena de basquete, que foi totalmente desmontada e as arquibancadas para 12 mil pessoas deslocadas para o autódromo de Silverstone. Não só na maneira reciclável que infraestrutura foi construída, mas nas iniciativas tomadas para longo prazo. Os prédios construídos para os jogos consumem 40% menos água, devido a iniciativas como banheiros com descargas econômicas e o reaproveitamento da água da chuva. No Centro Aquático a água das descargas será reciclada e usada para limpar os filtros da piscina.

As práticas sustentáveis feitas no Rio, tomando como mote as Olimpíadas, podem trazer benefícios para a cidade e servir de exemplo para todo o país. A Região Sudeste representa apenas 6% da reserva de água doce do país, que tem a maior reserva de água doce do planeta. Dados da ONU afirmam que uma em cada cinco pessoas residentes em países em desenvolvimento não têm acesso à água potável. O número chega a 1,1 bilhão de habitantes. Estima-se que mais de três bilhões de pessoas estarão vivendo com escassez de recursos hídricos em seus países até 2024. O Rio Rural prevê que as 2.016 nascentes preservadas pela campanha passem a produzir um volume de água equivale a cerca de 2,6 mil piscinas olímpicas cheias por ano. Para difundir a iniciativa, o Rio Rural fez um vídeo promocional que mostra como a água é um elemento indispensável para a prática esportiva. O futebol é usado como exemplo de esporte que exige uma grande quantidade de água. O vídeo mostra que apenas para a irrigação do gramado, são necessários cerca de 40 mil litros de água por dia e que o jogador perde cerca de três litros de água por partida.


terça-feira, 9 de outubro de 2012

Governo revê plano para nova linha de metrô


Lúcio Oliveira  

Após muitas críticas e abaixo-assinados pedindo uma nova linha de metrô ligando o centro da cidade à Gávea pelos bairros internos da Zona Sul, o governo estadual cedeu e anunciou que o projeto já está em andamento. Na Alemanha, o secretário estadual da Casa Civil, Regis Fichtner, acompanhado de representantes da RioTrilhos e da Concessionária Rio Barra, confirmou que já foram iniciados os estudos de referência para a contratação do projeto de expansão do metrô que ligará a Gávea ao Centro com estações pelos bairros do Jardim Botânico, Humaitá, talvez outra em Botafogo em frente à favela Dona Marta ou próximo ao Shopping Rio Sul, e Laranjeiras. 


No evento, que aconteceu na cidade de Schwanau, foi entregue o “tatuzão”, um equipamento de 11 metros de altura, equivalente a um prédio de quatro andares e que pesa cerca de 2 mil toneladas ao custo de R$ 100 milhões, sendo o maior e mais caro já utilizado na América Latina. Capaz de cavar tanto rocha quanto areia subterrânea sem necessidade de bate estacas, explosões com dinamites ou abertura de valas, o equipamento promete escavar de 15 a 18 metros por dia, quatro vezes mais rápido que os métodos utilizados anteriormente. Ainda não há confirmação de onde será construída a estação do Centro, mas a princípio ela ficaria em um segundo nível abandonado da estação Carioca.
Projeto apresentado pelo movimento "Metrô que o Rio precisa" 


Ainda segundo Fichtner, o desejo é deixar o projeto inteiramente pronto e licitado para ser colocado em prática a partir de 2016, quando terminarem das obras da Linha 4, ligando a Zona Sul à Barra da Tijuca, já que a intenção é aproveitar o tatuzão na nova linha. A promessa é que o estudo fique pronto no final do ano e, depois da licitação ser liberada, o plano completo seja elaborado em um ano e meio. A suposição é que a nova linha seja uma extensão da linha 4, ligando diretamente o Centro, não somente à Gávea, mas à Barra da Tijuca sem necessidade de fazer baldeação.


Primeiro, o governo estadual não quis construir a estação da Gávea em dois níveis. Com apenas um nível, ela seria ligação entre Leblon e Zona Oeste, o que dificultaria um futuro projeto para construção de uma nova linha na Zona Sul nos próximos anos. Foi graças às manifestações da sociedade civil, principalmente ao movimento “O metrô que o Rio precisa” que a extensão Gávea-Centro entrou nos planos de expansão. Nos últimos anos, representantes de inúmeras associações de moradores das zonas sul e norte também protestaram pedindo uma ligação pela Linha 1 entre a Gávea e a estação Uruguai, que está sendo construída na Tijuca e deve ficar pronta no final do ano que vem. Sobre esse projeto, o governo ainda não se pronunciou.

O que vai ser do Engenhão após as Olimpíadas?

Luana Chagas

 O estádio João Havelange, o Engenhão, construído para o Pan-Americano de 2007 custou
R$ 380 milhões e já será reformado para as Olímpiadas, com o objetivo de aumentar a capacidade de 45 mil para 60 mil pessoas e melhorar o acesso ao estádio.
A empresa Odebrecht, contratada da Prefeitura para as obras já fala em seu portal sobre a obra do Engenhão e de como essas obras serão um legado para cidade. O estádio já custou seis vezes mais que o programado, de R$ 60 milhões, e agora vai despender mais custos para uma reforma. A despesa não foi alta apenas para construção.
O estádio foi arrendado pelo Botafogo por 20 anos por um aluguel mensal de R$ 40 mil e a responsabilidade das despesas de manutenção, que somam R$ 500 mil por mês. Como o estádio está deficitário, o clube não está conseguindo arcar com todas estas despesas e tem dívidas com a Cedae e a Light.
O Estádio Olímpico vem sendo palco dos campeonatos Brasileiro e Carioca, mas desde 2011 apresenta a pior média de público. O estádio não atrai os torcedores e corre atrás do prejuízo buscando patrocínio e realizações de outros eventos, como shows e feiras de carros. 
O estádio vai sediar as competições de atletismo, mas hoje as pistas estão sem uso. Em entrevista para o Globo, o presidente da Federação de Atletismo do Estado do Rio de Janeiro (FARJ), Carlos Alberto Lancetta, diz que a pista está subutilizada em função da falta de vontade política da Confederação Brasileira de Atletismo.
Desde que foi construído, o estádio sofre grandes críticas, que vão do acesso ao gramado à precária administração. O que se questiona é se haverá mudanças após as Olimpíadas ou apenas será mais um elefante branco.

Por um Rio mais limpo

Camila Chahon

Em todas as grandes cidades do mundo, o lixo é um dos principais problemas. No Rio de Janeiro, não é diferente. A COMLURB recolhe diariamente cerca de 8.800 toneladas de lixo domiciliar e de resíduos produzidos em toda a cidade. Os cariocas têm o hábito de jogar lixo nas ruas e se continuar assim, até 2016 serão mais de 16 milhões de toneladas produzidas.

A maneira encontrada pela prefeitura para conscientizar a população e esconder o lixo é inspirado no projeto português da cidade de Portimão. Faz parte do projeto Porto Maravilha a Coleta +Rio. Serão 42 containers subterrâneos – 21 para produtos orgânicos e 21 para recicláveis - e cada um com capacidade para guardar cinco toneladas de lixo. Assim que o limite for alcançado, um caminhão de coleta especial retirará o entulho.

Tentando seguir o exemplo das Olimpíadas de Barcelona de 1992, a prefeitura do Rio estreitou a relação Rio-Barcelona. O Porto Maravilha fez com que os serviços de drenagem, esgoto, energia e gás passassem a ser subterrâneos - assim como a do lixo –, diminuindo a poluição visual da área. A Porto Novo, concessionária o lixo da área portuária, recolhe por mês uma média de mil toneladas de lixo. 

O intuito do prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, é dar para a associação de catadores de lixo tudo o que for coletado na região e eles serão os responsáveis pela seleção do material reciclável. Ainda de acordo com dados da Porto Novo, uma média de 2,6 toneladas de lixo são recolhidas por mês na Região do Porto - 1,1 mil toneladas das ruas e 1,5 mil toneladas de famílias.

Foco em hospedagem para aumentar economia

Ligia Lopes 

O crescimento econômico do país é uma das apostas da prefeitura para as Olimpíadas e Paralimpíadas de 2016. O setor econômico deve ser impulsionado pelo investimento no turismo no Rio de Janeiro, sede do evento. A estimativa do Instituto Brasileiro de Turismo (Embratur) é que o Rio receba 380 mil turistas estrangeiros a mais nos jogos que vão ocorrer na cidade daqui a quatro anos. Em 2011, o Rio recebeu 1.695 milhões de turistas estrangeiros, sendo 6,5 milhões de turistas domésticos.

O Comitê Olímpico Internacional (COI) exige que a sede dos jogos tenha disponibilidade de, no mínimo, 40 mil quartos de hotéis. Na época de sua candidatura, o Rio ofereceu 46.248 quartos, sendo cerca de 20 mil hotéis, vilas de acomodação e quartos em navios. Para aumentar a oferta de acomodações em hotéis, a Prefeitura ofereceu incentivos fiscais e urbanísticos para a rede hoteleira como a isenção de IPTU durante as obras, válidos até o fim de 2013.

Segundo o prefeito Eduardo Paes, de um total previsto de 12 mil quartos de hotel até 2015, 5.400 já estão em construção. Atualmente a cidade conta com 26.316 quartos de hotel, segundo os números da Riotur.

Além do investimento em hotéis, desde a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio +20, em junho deste ano, a prefeitura do Rio vem investindo no turismo “verde”, com a criação do portal Hospeda Rio. O objetivo é estimular a hospedagem domiciliar, favorável para os dois lados: mais barato para quem se hospeda e gerador de renda para quem recebe. 


O site permite que o internauta procure opções de hospedagem já cadastradas no sistema ou ofereça sua casa para receber os turistas. O sistema alivia a sobrecarga na rede hoteleira da cidade. O programa mantém parceria com as redes Cama e Café e Bed and Breakfast Brasil, que assinaram a Carta Carioca de Hospitalidade, documento de prestação de serviços que assume compromissos como qualidade e avaliação do imóvel. Algumas das normas estabelecidas na carta afirmam que os anfitriões devem obrigatoriamente ter mais de 18 anos, o hóspede tem direito a uma cópia da chave de casa e quarto privativo. Além disso, o Hospeda Rio também oferece o serviço de aluguel por temporada de imóveis.

Rio2016 esclarece o projeto de bilheteria dos jogos

Mayra Nolasco

O ex-jogador e deputado Romário, do PSB, acusou o presidente do Comitê Olímpico Brasileiro, Carlos Arthur Nuzman, de articular esquemas para controlar a venda dos ingressos das próximas Olimpíadas com benefícios a clientes ricos. O presidente do Comitê Olímpico da Irlanda, Patrick Hickey, e o empresário Marcus Evans também são alvos de críticas do deputado. Em resposta, Nuzman alegou que Romário, apesar de ter sido um grande atleta, não tem informações para analisar os assuntos do Comitê Olímpico Brasileiro. Através de uma nota oficial, o site Rio2016 esclareceu como deve funcionar a bilheteria dos jogos.

A venda dos ingressos no Brasil é de responsabilidade do Rio2016, que está na fase inicial de elaboração do plano operacional, o que definirá os preços e a disponibilidade dos bilhetes. No fim de 2013, será realizado um processo público de seleção da empresa que fornecerá o sistema de vendas. No projeto Bilheteria Rio2016, as vendas internacionais seguem as regras do COI para decidir a melhor forma de trabalhar com cada Comitê Olímpico Nacional e seu revendedor autorizado.

No total, serão 6 milhões de ingressos para os jogos olímpicos com o valor médio de US$36. Mais de 2 milhões de bilhetes devem custar menos de US$20 e os ingressos para as competições populares, no Parque Olímpico do Rio, devem custar apenas US$1. O preço dos ingressos é padronizado no mundo inteiro pelo COI. Nas olimpíadas de Londres, o torcedor brasileiro comprou o bilhete pelo valor oficial, em libras, convertido para o real, pelo câmbio do dia. O valor das entradas dos jogos variou entre R$65 e R$2 mil.


Foto: Rio2016


“Todo mundo sabe da minha preocupação em garantir a todos os cidadãos acesso aos jogos da Copa do Mundo e das Olimpíadas. Por isso, algumas informações me preocupam muito.” – escreveu Romário.

O deputado divulgou uma nota oficial afirmando que Nuzman é amigo de Hickey. Segundo ele, o irlandês estaria sondando oportunidades de negócios para a sua família no Rio de Janeiro, em vez de contribuir para os preparativos do evento.

“Foi noticiado na Inglaterra que o Sr. Hickey concedeu a alocação dos ingressos da Irlanda para os Jogos Olímpicos de Londres a uma empresa privada que, por sua vez, criou pacotes de ingressos com hospedagem voltados para a clientela mais rica.” – completou o deputado.

A empresa citada por Romário é o Grupo Marcus Evans, acusado de revenda de bilhetes. Na carta, Romário questiona diversas vezes o futuro dos ingressos das Olimpíadas do Rio e teme que o bilhete se torne um objeto de luxo destinado a minoria rica. Sua preocupação é que a maioria dos brasileiros só possa assistir aos jogos pela TV.

De acordo com o Rio2016, a Comissão de Coordenação do Comitê Olímpico Internacional (CoCom) tem a missão de acompanhar a evolução dos jogos através de reuniões anuais no Rio de Janeiro, com a participação de 17 integrantes, incluindo Patrick Hickey. Ainda na declaração do site oficial dos jogos, Hickey não teria nenhuma relação funcional, contratual ou administrativa neste processo. 

O diretor geral do Comitê Organizador dos Jogos do Rio, Leonardo Gryner, chama atenção para os problemas sofridos por outras cidades-sedes das Olimpíadas em relação aos ingressos. Para ele, o modelo de vendas elaborado por Londres não deve ser repetido no Brasil. Nos últimos jogos, os bilhetes foram pouco acessíveis ao público devido à má distribuição e organização de vendas. As consequências foram os grandes espaços vazios nas arenas e nos ginásios. Gryner propõe uma venda mais flexível, como os ingressos unitários. O torcedor, que antes compraria um bilhete com direito a assistir todas as competições do dia em uma arena, por exemplo, agora compraria uma entrada individual, para cada evento do dia. Esse tipo de venda evitaria o “clarão” nos estádios, caso o torcedor fosse embora após assistir apenas uma das competições.